O Safra retirou Cury (CURY3) e incluiu B3 (B3SA3) em sua carteira recomendada de dividendos para outubro, a única mudança na seleção do mês. As dez ações têm pesos iguais, de 10%, e a tabela do banco aponta dividend yield de até 12,1% — indicador que relaciona os dividendos esperados ao preço do papel, mas não garante esse retorno ao investidor.
Por que Cury saiu e B3 entrou na carteira
Na avaliação do Safra, a Cury enfrenta falta de catalisadores claros e um cenário mais desafiador para o segmento de construção voltado à baixa renda. O banco destacou o orçamento comprometido das famílias como um fator de atenção. Apesar da retirada, os analistas afirmaram que continuam gostando da tese da empresa.
Para justificar a entrada da B3, o Safra apontou que a ação negocia com desconto em relação à média de seu múltiplo dos últimos cinco anos. O banco também espera uma aceleração sazonal da atividade do mercado no quarto trimestre, como costuma ocorrer historicamente, o que poderia favorecer a geração de receita da operadora da bolsa.
O Safra ainda mencionou um carrego de 7,8% para 2027 como atrativo. Esse dado faz parte da avaliação do banco sobre a ação, não é uma promessa de rendimento: o desempenho efetivo depende dos resultados da companhia e das condições do mercado.
As dez ações e os dividend yields estimados
Além da B3, com yield indicado de 7,2%, a carteira reúne Petrobras (10,2%), BradSaúde (6,2%), Caixa Seguridade (6,7%), Itaúsa (8,6%), Allos (12,1%), Vale (8,0%), Taesa (9,4%), CPFL (7,7%) e Copel (5,5%). Cada papel representa 10% da composição recomendada.
Os percentuais foram calculados com base nas cotações de fechamento de 30 de setembro de 2026. O maior da lista é o da Allos, empresa do setor de shopping centers; o menor é o da BradSaúde. Como os preços das ações e os pagamentos de proventos podem mudar, os yields da tabela não devem ser lidos como retorno total nem como valor garantido.
Carteira ficou atrás dos índices em setembro
Em setembro, o portfólio do Safra avançou 2,30%. No mesmo mês, o Índice Dividendos (IDIV) subiu 4,45% e o Ibovespa teve alta de 5,03%. A comparação mostra que a carteira teve resultado positivo, mas ficou abaixo dos dois indicadores naquele período.
Esse desempenho mensal não determina o resultado dos meses seguintes. Uma carteira concentrada em ações pode oscilar conforme mudam os preços dos papéis e as perspectivas para cada empresa. Além disso, dividendos são decisões corporativas: os valores distribuídos podem variar de acordo com os resultados e a política de cada companhia.
O que observar nos próximos meses
A troca reflete uma alteração pontual nas preferências do banco, não uma mudança de toda a carteira: os outros nove nomes foram mantidos e seguem com pesos iguais. No caso da B3, os pontos destacados pelo Safra — desconto em relação à média histórica e possível aumento sazonal da atividade no quarto trimestre — serão relevantes para acompanhar a tese.
Para quem investe, a lista pode servir como referência sobre as empresas que o banco considera atrativas para uma estratégia de dividendos, mas não substitui a avaliação dos riscos e dos objetivos de cada pessoa. O yield projetado é apenas uma estimativa, e o retorno final também pode incluir variações no preço das ações, para cima ou para baixo.
