O Safra retirou Aura Minerals (AURA33) e Porto (PSSA3) de sua carteira recomendada de dividendos para setembro e incluiu Bradesaúde (SAUD3) e Caixa Seguridade (CXSE3). A mudança altera a exposição da seleção a mineração, seguros e serviços financeiros, enquanto o portfólio mantém dez ações com pesos iguais e dividend yield projetado de 8,5% para 2026.
Quais ações entraram e quais saíram da carteira
Com a revisão, cada papel passou a representar 10% da carteira. Além de Bradesaúde e Caixa Seguridade, o Safra manteve Taesa (TAEE11), Allos (ALOS3), Petrobras (PETR4), Copel (CPLE3), Itaúsa (ITSA4), Vale (VALE3), CPFL (CPFE3) e Cury (CURY3).
O dividend yield é uma estimativa do quanto uma ação pode distribuir em dividendos e outros proventos em relação ao preço do papel. Ele não representa retorno garantido, pois depende dos resultados das empresas, das decisões de distribuição e da cotação das ações.
Allos tem o maior retorno projetado em dividendos
Entre as dez empresas selecionadas, a Allos apresenta o maior dividend yield projetado para 2026, de 13,1%. Na avaliação dos estrategistas Cauê Pinheiro, Yves Adam e Luana Nunes, a administradora de shoppings combina desempenho operacional, controle de custos, disciplina na alocação de capital e distribuição recorrente de proventos.
Na sequência, aparecem Petrobras, com yield estimado de 11,2%; Taesa, com 9,5%; Cury e Itaúsa, ambas com 8,7%; Vale, com 8,5%; CPFL, com 7,4%; Caixa Seguridade, com 7,0%; Bradesaúde, com 5,8%; e Copel, com 5,5%.
Carteira superou Ibovespa e índice de dividendos em agosto
O desempenho recente ajudou a sustentar a estratégia. Em agosto de 2026, a carteira de dividendos do Safra avançou 5,99%, enquanto o Índice Dividendos (IDIV) recuou 1,65% e o Ibovespa caiu 0,33%. No mesmo mês, o CDI, referência para aplicações de renda fixa, subiu 1,04%.
No acumulado de 2026 até agosto, a carteira registra alta de 19,3%, ante 12,6% do IDIV e 10,1% do Ibovespa. Em 12 meses, o ganho chega a 35,4%, contra 25,9% do IDIV e 25,5% do principal índice da bolsa brasileira.
Retorno acumulado desde o início da estratégia
Desde janeiro de 2020, a carteira acumula valorização de 100,9%. No mesmo intervalo, o IDIV subiu 85,2%, o Ibovespa avançou 49,4% e o CDI acumulou 86,7%.
O histórico, porém, não significa que o resultado se repita nos próximos meses. A própria série mostra que a carteira superou o IDIV em 47 dos 81 meses analisados, ou 58% do período. A comparação também considera apenas o desempenho passado e não elimina riscos ligados às empresas, aos setores e ao mercado de ações.
O que a mudança representa para quem acompanha a bolsa
A troca reduz a participação de Aura Minerals e Porto na seleção e aumenta a presença de empresas ligadas a seguros e serviços financeiros. Esses setores podem ter fontes de receita e fatores de desempenho diferentes dos observados em mineração ou seguros tradicionais, o que muda a composição de riscos da carteira.
Para o investidor, o ponto central é que uma carteira de dividendos busca combinar distribuição de proventos com valorização dos papéis, e não apenas perseguir o maior yield estimado. As dez ações têm peso igual, mas seus resultados podem variar conforme atividade econômica, preços de commodities, juros, sinistralidade e decisões de cada companhia.
