O Safra elevou o preço-alvo do Mercado Livre de US$ 2.300 para US$ 2.500 e manteve a recomendação de compra para as ações da companhia. O novo valor indica um potencial de valorização de 27% em relação à cotação considerada pelo banco e reforça a empresa como sua principal escolha no comércio eletrônico em 2026.

Por que o Safra aumentou o preço-alvo

A revisão incorporou os resultados do segundo trimestre de 2026 e novas premissas para a economia. Embora o banco avalie que o ambiente macroeconômico brasileiro tenha piorado, com uma estimativa de crescimento do PIB em 2027 0,4 ponto percentual menor, o desempenho operacional do Mercado Livre compensou parte das pressões.

O Safra manteve praticamente inalteradas as projeções de receita líquida para 2026 e 2027, mas elevou em 3% a estimativa para 2028. A mudança reflete expectativas de maior volume de vendas e de uma participação um pouco mais elevada da empresa nas receitas geradas pelas transações de comércio eletrônico.

Crescimento do comércio eletrônico sustenta a tese

Os analistas projetam crescimento anual composto de 33% para a receita líquida entre 2025 e 2028. No mesmo período, o GMV, ou volume bruto de mercadorias vendido na plataforma, deve avançar 25% ao ano.

Com isso, a participação do Mercado Livre no mercado regional de comércio eletrônico poderia passar de 34% em 2025 para 45% em 2028. Entre os fatores citados estão a maior penetração das compras online, melhorias logísticas, expansão de categorias, adoção do serviço de armazenagem e entrega, além do desenvolvimento do Mercado Ads, plataforma de publicidade para vendedores.

Mercado Pago amplia as fontes de receita

Além do comércio eletrônico, o Safra vê espaço para expansão no Mercado Pago, que reúne contas digitais, cartões de crédito, serviços de adquirência, depósitos e operações de crédito. A combinação dos negócios dá à empresa mais de uma fonte de crescimento e aumenta a frequência de uso do ecossistema pelos clientes.

A concorrência e os investimentos necessários para continuar expandindo podem pressionar as margens no curto prazo. Ainda assim, o banco estima um ROIC, retorno sobre o capital investido, médio de 35% entre 2025 e 2028, indicador de que a companhia tende a gerar retorno elevado sobre os recursos empregados.

Margens e múltiplos entram no cálculo

O Safra manteve em 9% a estimativa de margem de longo prazo, acima dos 6,8% projetados para 2026. A margem mostra quanto da receita pode permanecer como resultado operacional depois dos custos do negócio, antes de juros e impostos.

As projeções de margem bruta foram reduzidas em 2,06, 3,37 e 2,53 pontos percentuais para 2026, 2027 e 2028, respectivamente. Mesmo assim, a alavancagem operacional limitou os cortes na margem Ebit a 0,18, 0,80 e 0,94 ponto percentual nos mesmos anos. O Mercado Livre é avaliado a 40 vezes o lucro estimado para 2027, abaixo da média histórica de 55 vezes e do múltiplo atual de 44 vezes.

O que o investidor deve acompanhar daqui para frente

No segundo trimestre, encerrado em junho, o Mercado Livre registrou lucro líquido de US$ 466 milhões, acima dos US$ 433 milhões esperados por analistas consultados pela LSEG. O resultado ajuda a explicar por que o banco elevou o preço-alvo, apesar de ter revisado algumas margens para baixo.

O Safra aumentou em 7% a projeção de lucro líquido para 2026, mas reduziu em 3% a estimativa para 2027, refletindo margens operacionais menores e despesas financeiras mais baixas, sobretudo na Argentina. Para quem acompanha o papel na Nasdaq ou o BDR MELI34 na B3, os próximos pontos de atenção são a evolução do Mercado Pago, a competição e a capacidade de transformar crescimento em lucro.