Após analisar quase seis anos de dados, o Banco Safra identificou que as revisões das projeções de lucro são o fator que melhor acompanha a alternância de desempenho entre Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11). O resultado importa porque mostra que a disputa entre as duas ações não é definida apenas pelo preço da celulose ou pelo dólar, mas também pela mudança nas expectativas para os resultados futuros de cada companhia.
Revisões de lucro acompanharam todas as viradas
O estudo dividiu o período em dez janelas, todas com duração mínima de oito semanas, e testou cinco fatores relacionados ao desempenho relativo das empresas. Em todas as dez fases, as revisões das estimativas de resultado acompanharam a ação que apresentou melhor desempenho.
Essas revisões ocorrem quando analistas elevam ou reduzem suas projeções para receitas, margens, custos e lucro. Quando as estimativas melhoram, o mercado tende a incorporar uma visão mais favorável sobre o valor da empresa. O Safra ressalva, porém, que as mudanças geralmente acontecem junto com a alta ou a queda das ações, funcionando mais como confirmação de uma tese do que como sinal antecipado de compra ou venda.
Suzano negocia perto de um dos maiores descontos históricos
A relação entre os preços de SUZB3 e KLBN11 chegou a 2,51 vezes, um dos níveis mais extremos da série de 5,7 anos analisada. O indicador oscilou entre 2,32 e 3,44 vezes, e o patamar atual está no quarto percentil da amostra. Na prática, isso significa que a Suzano está sendo negociada próxima de seus maiores descontos históricos em relação à Klabin.
O movimento começou em 13 de fevereiro de 2026 e já durava 30 semanas. Nesse intervalo, SUZB3 acumulou queda de 18%, enquanto KLBN11 recuou 4,2%, produzindo retorno relativo negativo de 15,6% para a Suzano. O ambiente macroeconômico permaneceu relativamente estável, mas o banco afirma que ainda não há confirmação de reversão: seria necessário um recuo de pelo menos 10% a partir do ponto mais extremo.
Celulose favorece Suzano, enquanto Klabin atua como defesa
O preço da celulose esteve alinhado ao desempenho superior da Suzano em sete das dez janelas estudadas. O resultado reforça a maior sensibilidade de SUZB3 ao ciclo da commodity: quando o mercado de celulose se fortalece, a companhia tende a capturar mais diretamente esse movimento.
A Klabin, por ter operação mais diversificada e maior presença em papéis e embalagens, apresenta características mais defensivas dentro do setor. Mesmo a valorização da celulose de fibra longa, produto ao qual a Klabin tem maior exposição direta, esteve associada em alguns períodos ao melhor desempenho da Suzano. Para o Safra, o fortalecimento do mercado de celulose pode beneficiar SUZB3 independentemente do tipo de fibra em alta.
Dólar tem efeito, mas explica menos a alternância
O câmbio esteve relacionado à ação vencedora em seis das dez janelas, abaixo da frequência observada nas revisões de lucro e na celulose. A lógica é que as duas empresas têm receitas ligadas ao mercado internacional: a valorização do dólar aumenta, em reais, o valor dessas receitas, enquanto o fortalecimento do real reduz essa conversão.
No curto prazo, quando o real se valoriza, o desempenho relativo anualizado fica 9,7% abaixo da tendência. Quando o real se desvaloriza, o ganho relativo chega a 6,9%. Ainda assim, o câmbio não apresentou a mesma consistência das expectativas de lucro para explicar qual das duas ações lidera.
O que os dados indicam para quem acompanha as ações
Suzano e Klabin foram as empresas estatisticamente mais próximas entre as companhias do setor acompanhadas pelo banco, mas nenhuma dominou estruturalmente a disputa. Das dez janelas, cinco favoreceram cada uma. Os ciclos de liderança costumam mudar a cada seis ou sete meses, com oscilações relativas geralmente entre 15% e 30%, embora sem trajetória linear.
Os dados sugerem que o acompanhamento das projeções de lucro pode ajudar a interpretar a diferença de desempenho, mas não elimina os riscos ligados à celulose, ao dólar e à diversificação dos negócios. A decisão entre os papéis depende de como o investidor avalia esses fatores e a capacidade de cada empresa de transformar mudanças de mercado em resultados.
