O S&P 500 caiu 0,25%, aos 7.711,05 pontos, e o Nasdaq recuou 0,53%, aos 26.400,56 pontos, nesta sexta-feira (28), após o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, reforçar que o combate à inflação continua sendo prioridade. A fala aumentou as apostas de que os juros americanos podem subir em setembro e interrompeu a sequência de alta dos índices na sessão anterior.
Discurso de Warsh elevou a cautela em Wall Street
Durante o simpósio anual de Jackson Hole, Warsh afirmou que o Fed ainda tem “mais trabalho a fazer” caso a inflação subjacente não esteja avançando de forma clara e em velocidade suficiente para alcançar a meta de 2%. Embora tenha reconhecido melhora em alguns dados recentes, o dirigente defendeu cautela e evitou se comprometer com uma decisão específica para a próxima reunião.
A avaliação foi interpretada como mais dura do que parte do mercado esperava. Warsh também disse que, em sua opinião, os dados recentes de inflação não indicavam uma mudança na tendência. Com isso, os investidores reduziram a expectativa de que o banco central pudesse adotar uma postura mais flexível nos próximos meses.
Mercado passou a dividir apostas sobre os juros de setembro
De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, o mercado passou a precificar 57,5% de probabilidade de uma alta dos juros em setembro. Ainda assim, os operadores permanecem divididos entre uma elevação e a manutenção das taxas, quadro semelhante ao observado antes da divulgação dos dados de inflação deste mês, considerados mistos.
Para Mark Hackett, estrategista-chefe de mercado da Nationwide, a reação moderada dos ativos reflete a firmeza de Warsh em preservar a meta de inflação de 2%, sem indicar necessariamente uma mudança imediata. Na avaliação do Citi, o discurso foi mais severo do que o esperado porque deu menos peso a fatores que poderiam justificar uma política mais branda, como um relatório de emprego mais fraco, salários comportados e expectativas de inflação bem ancoradas.
Ações de tecnologia devolveram parte dos ganhos recentes
O Nasdaq foi especialmente afetado por concentrar empresas de tecnologia, cujas ações tendem a sofrer quando os juros sobem. Taxas maiores aumentam o custo de financiamento das companhias e reduzem o valor presente dos lucros esperados para o futuro, o que costuma pressionar empresas de crescimento e ações de maior preço.
Os papéis de fabricantes de chips recuaram depois da alta da sessão anterior, impulsionada pela projeção da Nvidia de que a demanda associada à inteligência artificial ainda tem espaço para crescer. O movimento mostrou que o entusiasmo com esse setor continua, mas está mais sensível à trajetória dos juros.
Dólar e títulos americanos acompanharam a mudança
Após o discurso, o dólar e os títulos do Tesouro dos Estados Unidos passaram a subir. Quando o mercado espera juros americanos mais altos, os ativos em dólar tendem a ganhar atratividade, enquanto os preços dos títulos existentes caem e suas taxas de retorno sobem.
O Dow Jones teve baixa de 0,02%, aos 53.558,38 pontos. Mesmo com a queda no último pregão, o S&P 500 e o Dow Jones acumularam alta de 0,5% na semana, enquanto o Nasdaq avançou 0,8% no período.
O que a sinalização representa para o Brasil
Juros americanos mais altos por mais tempo podem fortalecer o dólar e estimular a saída de recursos de mercados emergentes, como o brasileiro. Esse movimento tende a aumentar a pressão sobre o câmbio e pode dificultar a redução dos juros domésticos, já que uma Selic menor em relação às taxas dos EUA poderia ampliar a desvalorização do real.
Para quem investe, o próximo foco será a divulgação de novos dados de inflação e atividade nos Estados Unidos, além da decisão do Fed em setembro. Para consumidores e empresas brasileiras, a combinação de dólar pressionado e crédito caro pode encarecer importados, financiamentos e capital de giro, enquanto o mercado seguirá ajustando os preços conforme surgirem novas evidências sobre a inflação.
Impacto para a sociedade
A sinalização de juros elevados nos Estados Unidos pode manter a pressão sobre o dólar e dificultar a queda da Selic no Brasil, afetando crédito, financiamentos e investimentos. Se o real perder valor, produtos importados e alguns custos ligados a commodities podem ficar mais caros, com possíveis efeitos sobre a inflação e o orçamento das famílias.
