Os dados operacionais de setembro da Rumo (RAIL3) decepcionaram e pressionavam as ações nesta sexta-feira (9): por volta das 11h15, os papéis caíam 2,21%, a R$ 18,17, perto da mínima do dia e com o segundo pior desempenho do Ibovespa. A companhia transportou menos carga do que no mesmo mês de 2025, e o resultado do trimestre também ficou abaixo das expectativas do mercado.

Volume de setembro recuou 10% em um ano

A Rumo registrou em setembro um volume consolidado de 7 bilhões de RTK, unidade que combina o peso transportado e a distância percorrida. O número foi 10% menor que o de setembro do ano passado, uma redução de 808 milhões de RTK. Essa medida permite acompanhar a atividade da ferrovia considerando não apenas a quantidade de carga, mas também o percurso feito por ela.

A Operação Norte foi uma das principais pressões, com retração anual de 10%. Entre os produtos, o milho teve a maior queda: o volume recuou 33% na comparação com setembro de 2025, diminuindo em 1,06 bilhão de RTK. Soja e farelo de soja avançaram 20% e 21%, respectivamente, mas não compensaram a baixa do milho.

Resultado trimestral ficou aquém das projeções

No terceiro trimestre de 2026, o volume transportado pela companhia cresceu 2% em relação ao mesmo período de 2025. O avanço ficou abaixo da estimativa de alta de 4% do Bradesco BBI e do consenso do mercado, de 3%. O BTG Pactual, por sua vez, avaliou que o crescimento trimestral superou em 6% sua própria projeção.

Os analistas apontaram fatores que podem ajudar a explicar a fraqueza de setembro. Um descarrilamento interrompeu por cerca de dois a três dias as operações na Malha Paulista; o problema foi resolvido em 25 de setembro. Também houve menor exportação de grãos por Mato Grosso, com queda anual de 26%, e chuvas intensas que afetaram a operação dos terminais de Santos. O BTG citou ainda o encerramento sazonal dos embarques de soja e a aceleração da segunda safra de milho.

Bancos veem parte das pressões como pontual

Para o Bradesco BBI, o impacto do descarrilamento não deve se repetir nos volumes de outubro, já que a operação foi normalizada ainda em setembro. A leitura dos analistas é que fatores como as interrupções e as condições climáticas contribuíram para um resultado mensal fraco, sem necessariamente indicar uma piora permanente no transporte da companhia.

O BTG também destacou o maior volume de chuvas durante o mês. Mesmo com o recuo de setembro, a avaliação do banco considera o desempenho trimestral superior à sua estimativa. Os dados, portanto, combinam uma queda expressiva em um mês com crescimento acumulado no trimestre, embora menor que as projeções do Bradesco BBI e do consenso de mercado.

O que acompanhar após a reação das ações

O Bradesco BBI elevou de R$ 18 para R$ 22 seu preço-alvo para a ação ao fim de 2027. O cálculo considera um impacto negativo de R$ 3 bilhões em passivos ligados à Malha Oeste, equivalente a cerca de R$ 1,60 por ação. Já o BTG estabeleceu preço-alvo de R$ 23 para os próximos 12 meses. Essas estimativas refletem as avaliações dos bancos, não garantem o desempenho futuro dos papéis.

Entre os pontos que sustentam as projeções, o BTG mencionou a expectativa de geração de caixa mais favorável após os ajustes de preços e a possibilidade de redução gradual dos investimentos e dos pagamentos ligados às concessões. Para quem acompanha a Rumo, os próximos dados de volume ajudam a avaliar se a fraqueza de setembro foi passageira. Também seguem no radar os efeitos de chuvas, exportações de grãos e as negociações relacionadas à Malha Oeste.