Ripple e CSD BR vão fornecer suporte tecnológico em blockchain para fundos do BTG Pactual, em uma primeira etapa que prevê espelhar cotas de investimento na rede XRP Ledger. O registro oficial continuará nos sistemas da CSD BR; a novidade é usar a tecnologia como camada adicional de consulta e auditoria em operações reais e dentro das regras regulatórias brasileiras.

Como será o espelhamento das cotas na blockchain

As cotas dos fundos do BTG Pactual depositadas na CSD BR serão tokenizadas e representadas na rede com o padrão Multi-Purpose Token (MPT). Tokenizar, neste caso, significa criar uma representação digital do ativo para registrá-la na blockchain — não transferir para essa rede o controle oficial dos registros.

O XRP Ledger (XRPL) funcionará como uma camada complementar. Participantes autorizados poderão consultar os dados e verificar, em tempo real, se as informações registradas na rede são consistentes. A CSD BR seguirá responsável por manter o registro oficial das cotas em sua infraestrutura.

Registro oficial continua sob responsabilidade da CSD BR

A separação entre o registro oficial e a camada de auditoria é central no desenho da iniciativa. Assim, a blockchain poderá apoiar a transparência e a rastreabilidade sem substituir, nesta fase, os sistemas da CSD BR. A operação foi apresentada como compatível com a regulação vigente.

O ambiente será permissionado, ou seja, restrito a participantes autorizados, como clientes corporativos e bancos. O acesso estará sujeito a procedimentos de Conheça seu Cliente (KYC) e de prevenção à lavagem de dinheiro. Isso diferencia o projeto de uma rede aberta na qual qualquer usuário poderia participar sem autorização.

Parceria combina infraestrutura regulada e tecnologia de blockchain

A CSD BR atua no registro de ativos financeiros e concorre com a B3, com presença crescente no segmento de derivativos. A empresa informa ter mais de R$ 22 trilhões em ativos registrados e uma infraestrutura capaz de processar milhões de transações em minutos. Esses números dão a dimensão da operação que poderá ser avaliada com a nova camada tecnológica.

De acordo com os executivos envolvidos, a parceria permitirá observar, em ambiente regulado e com transações reais, possíveis ganhos de transparência, rastreabilidade, automação e eficiência. A Ripple afirma que o XRPL foi desenvolvido com foco em transações institucionais e no mercado de capitais. Os benefícios, porém, ainda serão avaliados na implementação.

Executivos apontam avanço para uso da tecnologia em produção

Um representante da Ripple descreveu a iniciativa como o primeiro caso em que a tecnologia deixa um ambiente específico de testes regulatórios e passa a ser usada em produção nesse modelo. A afirmação se refere ao uso da blockchain como parte de uma operação real, e não a uma substituição completa dos sistemas tradicionais da CSD BR.

Essa distinção importa porque a adoção de blockchain por instituições financeiras depende de conciliar novas ferramentas com controles, responsabilidades e regras já existentes. No projeto, a manutenção do registro oficial na CSD BR preserva a estrutura atual, enquanto a rede oferece uma forma adicional de consulta e verificação.

O que a iniciativa pode mudar para o mercado

Para quem investe em fundos, a parceria não significa, por si só, mudança nas cotas, nos rendimentos ou nas regras de aplicação do BTG Pactual. O anúncio trata da infraestrutura de registro e auditoria. A utilidade prática dependerá de como a tecnologia será aplicada e dos resultados observados com as operações.

O próximo passo é avaliar o funcionamento do modelo com ativos reais e em ambiente regulado. Se os ganhos pretendidos se confirmarem, o projeto poderá servir de referência para outros usos de blockchain no mercado financeiro brasileiro. Por enquanto, o registro oficial permanece com a CSD BR, e a rede atua como suporte tecnológico complementar.