Carteiras de investimentos de outubro ainda apontam títulos privados com remuneração acima de IPCA+ 8%, mesmo após a queda das taxas oferecidas pelo Tesouro Direto. Entre os exemplos estão um certificado imobiliário do Assaí, que paga IPCA+ 9,46%, e uma debênture da Origem Energia, com taxa prefixada de 16,5% ao ano. As oportunidades, porém, vêm acompanhadas de riscos que variam conforme a empresa emissora e o tipo de papel.
Taxas recuaram após mudança nas expectativas
O movimento acontece em um cenário de redução dos juros. Desde março, o Banco Central cortou a Selic cinco vezes, de 15% para 13,75% ao ano. Quando a taxa básica cai, aplicações novas em renda fixa tendem a oferecer remunerações menores, porque o custo do dinheiro na economia também diminui.
As expectativas de juros futuros também recuaram após o primeiro turno das eleições presidenciais. Em dois dias, as projeções passaram de 14% para 12% ao ano. Nos títulos IPCA+ do Tesouro Direto, as taxas reais, que remuneram acima da inflação, deixaram a faixa de 7% a 8% e passaram a ficar perto de 6% nos diferentes vencimentos.
CRI do Assaí oferece taxa elevada e risco de crédito
Uma das taxas mais altas entre as recomendações de outubro está em um Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) do Assaí, incluído pelo Itaú BBA para investidores de perfil mais arrojado. O título remunera IPCA mais 9,46%, uma taxa que embute prêmio elevado e, portanto, sinaliza riscos que precisam ser considerados junto com o retorno potencial.
O banco destaca a classificação de risco AAA da companhia e sua presença nas cinco regiões do país. Também aponta como aspectos favoráveis o perfil alongado da dívida, com vencimentos concentrados em 2028 e 2029, e o plano de redução do endividamento. Do outro lado, a empresa tem dívida elevada e atua no varejo alimentar, setor sensível aos juros e ao consumo.
Debênture prefixada depende da trajetória dos juros
A XP incluiu entre suas escolhas uma debênture da Origem Energia com taxa prefixada de 16,5% ao ano. Esse tipo de remuneração estabelece uma taxa nominal no momento da aplicação. Se os juros caírem depois, o papel pode se tornar mais atrativo em comparação com novas emissões, mas seu resultado também depende das condições de negociação e do pagamento pelo emissor.
A tese favorável à empresa considera o crescimento do negócio de gás natural e a melhora recente na geração de caixa. A expansão, por outro lado, deve consumir recursos, e a companhia está exposta às oscilações do setor de petróleo e gás. Debêntures não contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC): o investidor depende da capacidade de pagamento da empresa.
Taxa maior não significa retorno sem contrapartida
As carteiras de outubro foram reunidas a partir das recomendações de XP, BTG Pactual, Banco do Brasil BI e Itaú BBA. A dinâmica dos títulos privados não acompanha apenas a curva de juros: também depende das negociações entre investidores no mercado secundário e da situação financeira de cada emissor. Isso ajuda a explicar por que ainda há papéis com taxas elevadas mesmo com a queda dos juros futuros.
Na prática, comparar apenas o percentual prometido pode levar a uma leitura incompleta. Um título atrelado à inflação e uma debênture prefixada têm formas diferentes de remuneração, prazos e riscos. Para acompanhar essas opções, importa observar as condições de cada emissão, a saúde financeira de quem tomou o crédito e como a trajetória da Selic e da inflação pode afetar o investimento até o vencimento.
Impacto para a sociedade
A queda da Selic tende a reduzir gradualmente o custo de empréstimos e financiamentos, embora as taxas cobradas pelos bancos não mudem necessariamente no mesmo ritmo. Para quem investe, também significa que novas aplicações podem oferecer retornos menores, enquanto papéis privados com taxas elevadas podem envolver mais risco de crédito.
