A reforma tributária pode elevar as exportações brasileiras em 17% em 15 anos, afirmou nesta terça-feira (29) o vice-presidente Geraldo Alckmin, durante a abertura do Congresso Aço Brasil, em São Paulo. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) citado por ele também projeta, no mesmo horizonte, alta de 12% no Produto Interno Bruto (PIB) e de 14% nos investimentos.

O que está por trás da projeção do Ipea

As estimativas apontam possíveis efeitos de longo prazo da mudança nos impostos sobre o consumo. Segundo Alckmin, um sistema mais simples e com menos cobrança acumulada ao longo da produção tende a reduzir custos para as empresas e a melhorar a competitividade da indústria brasileira.

Os percentuais são projeções para um período de 15 anos, não resultados já observados nem uma previsão de crescimento anual. A declaração não detalhou o ritmo esperado para esses avanços. Por isso, os números indicam uma estimativa do impacto potencial da reforma, e não uma garantia de que exportações, PIB e investimentos alcançarão esses patamares.

Como a mudança pode beneficiar exportadores

A reforma prevê substituir cinco tributos sobre o consumo por um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, com implantação a partir de 2027. A ideia é simplificar a cobrança e reduzir a cumulatividade — quando impostos pagos em etapas anteriores da produção acabam pesando novamente no custo dos produtos.

Alckmin destacou também a possibilidade de as empresas recuperarem créditos tributários acumulados ao longo da cadeia produtiva. Isso pode reduzir custos incorporados aos bens exportados e evitar que tributos pagos durante a fabricação onerem o produto vendido no exterior. O efeito é especialmente relevante para indústrias com muitos fornecedores e etapas de produção.

Indústria do aço também está na agenda

O vice-presidente relacionou a reforma à competitividade da siderurgia, setor que fornece insumos para construção, máquinas, automóveis e infraestrutura. No congresso, também defendeu ampliar o crédito para a área metalúrgica, estimular o conteúdo local e adotar medidas de defesa comercial para a indústria nacional.

Entre os dados apresentados por Alckmin, o crédito para o setor metalúrgico aumentou 248%. Ele afirmou ainda que a tarifa de importação foi elevada para 25% em 39 classificações de produtos e que o volume de importações de aço caiu 15% de janeiro a julho de 2026. No mesmo intervalo, a participação das importações no consumo, chamada de taxa de penetração, recuou de 22,9% para 12,7%, segundo os números apresentados.

Custos de produção e acesso a mercados

Além dos impostos, Alckmin citou o preço do gás natural como fator que pesa sobre a indústria e defendeu regulamentar a Lei do Gás para reduzir custos. Uma audiência pública sobre o tema está marcada para 27 de outubro. O vice-presidente também mencionou o financiamento às exportações pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e a ampliação de acordos comerciais.

O governo pretende ouvir propostas do setor siderúrgico para criar um programa de incentivo à cadeia do aço, nos moldes de uma iniciativa voltada à indústria química. A proposta, segundo Alckmin, é fortalecer a produção nacional e a indústria de base; não foram detalhados prazos ou medidas do programa.

O que muda para a economia e o que acompanhar

Para quem investe, trabalha ou consome, a projeção aponta para possíveis ganhos econômicos graduais, mas não permite antecipar efeitos imediatos sobre preços, salários ou emprego. A reforma começa a ser implantada em 2027, e os resultados estimados dependem de como as novas regras funcionarão na prática e de outros fatores que influenciam a produção e o comércio.

O próximo passo será acompanhar a implantação do novo sistema e se as empresas conseguirão aproveitar os créditos tributários previstos. Também será importante observar as medidas para reduzir custos industriais, como a regulamentação do gás e o apoio à cadeia do aço. O estudo citado estima os efeitos ao longo de 15 anos, horizonte bem mais longo do que a transição inicial.

Impacto para a sociedade

A projeção envolve a atividade econômica e os investimentos, que podem influenciar a geração de empregos e a renda ao longo do tempo. A mudança, porém, começa a ser implantada em 2027, e os efeitos estimados se distribuem por 15 anos; não significa redução imediata de preços ou impostos para as famílias.