As ações da Rede D’Or (RDOR3) avançavam 6,03%, a R$ 34,45, por volta das 12h07 desta quinta-feira (13), após analistas classificarem como sólido o resultado do segundo trimestre de 2026. O movimento reflete principalmente a melhora da rentabilidade nos hospitais e na SulAmérica, em um trimestre no qual o crescimento da receita foi moderado, mas o controle de custos e da sinistralidade sustentou o lucro.

Lucro e Ebitda crescem acima da receita

A companhia registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,3 bilhão no 2T26, alta de 8,5% sobre o mesmo período de 2025. O Ebitda, indicador que representa o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, alcançou R$ 2,9 bilhões, crescimento de 18,2% na comparação anual.

A receita líquida consolidada somou R$ 14,9 bilhões, avanço de 5,6% ante o segundo trimestre do ano passado. Como o Ebitda cresceu em ritmo mais acelerado que a receita, a empresa conseguiu ampliar a margem, sinal de que uma parcela maior do faturamento se transformou em resultado operacional.

Margem hospitalar foi o principal destaque

O Itaú BBA apontou que a rentabilidade da operação hospitalar, que era uma das principais preocupações antes da divulgação do balanço, veio acima das expectativas. A margem Ebitda dos hospitais chegou a 26,2%, favorecida pela diluição dos custos com materiais e medicamentos.

Na prática, a diluição ocorre quando despesas operacionais crescem menos que a receita ou passam a representar uma parcela menor do faturamento. Esse efeito melhora a margem e ajuda a explicar por que o lucro operacional avançou mais que a receita no período.

SulAmérica reduz sinistralidade e supera projeções

A unidade de seguros e planos de saúde SulAmérica também contribuiu para o resultado. A sinistralidade, medida que indica quanto da receita é consumida pelo pagamento de despesas assistenciais e sinistros, recuou 3 pontos percentuais em relação ao segundo trimestre de 2025, para 78,9%.

Com a melhora, o Ebitda da SulAmérica ficou 11% acima das estimativas do Bradesco BBI. A XP Investimentos também destacou a redução de 300 pontos-base na sinistralidade, além da aceleração do crescimento do tíquete hospitalar, que chegou a 10% na comparação anual.

Imposto menor ajudou o resultado do trimestre

Outro fator favorável foi a queda da alíquota efetiva de imposto para 23% no segundo trimestre, ante 40% no primeiro trimestre de 2026, segundo a XP. A alíquota efetiva mostra quanto do resultado antes dos impostos foi destinado ao pagamento de tributos, considerando os efeitos contábeis aplicáveis ao período.

Esse efeito contribuiu para o lucro líquido, mas os analistas concentraram a avaliação positiva na melhora operacional. Para o Itaú BBA, as tendências subjacentes ficaram, em geral, dentro do esperado, sem justificar revisões relevantes nas estimativas após o balanço.

O que o mercado espera daqui para frente

Itaú BBA, Bradesco BBI e XP Investimentos reiteraram a recomendação de compra para a ação. O BBA manteve preço-alvo de R$ 50, enquanto o BBI continuou com objetivo de R$ 41. Esses valores representam projeções dos analistas, não garantia de retorno para o investidor.

A reação positiva também foi influenciada pelo desempenho fraco da ação nas semanas anteriores e por expectativas mais baixas antes do balanço. Para os analistas, crescimento dos lucros, geração de caixa e possíveis movimentos de consolidação no setor continuam sustentando uma visão favorável. O próximo foco será verificar se a expansão das margens e o controle da sinistralidade permanecem nos próximos trimestres.