As ações da PetroReconcavo (RECV3) subiam 3,33%, a R$ 12,09, por volta das 11h20 desta quinta-feira (8), mas o recuo da produção em setembro limitava os ganhos. A alta do petróleo no exterior dava suporte aos papéis: no mesmo horário, o Brent avançava 4,26%, a US$ 104,47 por barril. Os dados operacionais, porém, trouxeram sinais de fraqueza nos campos da companhia.

Petróleo em alta impulsiona as ações na B3

A valorização do Brent pode melhorar as expectativas do mercado para empresas produtoras de petróleo, pois a cotação internacional é uma referência importante para o setor. Esse impulso ajudava a RECV3, que estava entre as ações em alta em um dia de forte aversão a risco externo.

O avanço do preço da commodity não elimina, contudo, a importância dos volumes produzidos. Quando a produção diminui, a empresa tem menos petróleo e gás para entregar, o que pode limitar o benefício de uma cotação mais alta. Foi esse contraste entre o petróleo valorizado e os dados operacionais que conteve a reação das ações.

Produção recuou 1,3% em setembro

A PetroReconcavo registrou produção média diária de 23,5 mil barris de óleo equivalente por dia (boepd) em setembro, queda de 1,3% ante agosto. A medida reúne petróleo e gás convertidos em uma unidade comum para permitir a comparação dos volumes.

No ativo Bahia, a produção consolidada foi de 11,8 mil barris por dia. O volume de petróleo caiu 1,8%, para 6,6 mil barris diários. O excedente de gás natural recuou 1%, para 5,3 mil barris equivalentes por dia. No Potiguar, foram 11,7 mil barris por dia: o petróleo caiu 1%, para 7,5 mil, e o gás recuou 1,1%, para 4,2 mil barris equivalentes diários.

Falhas em poços e parada de compressores pressionaram volumes

Na Bahia, falhas em poços afetaram a produção de petróleo. Em Remanso, uma parada não programada de compressores pressionou o excedente de gás pelo segundo mês consecutivo. A otimização de poços no campo de Tiê ajudou, mas não foi suficiente para compensar essas perdas.

No Potiguar, os volumes também foram afetados pela estabilização de poços depois do fluxo inicial gerado por intervenções de manutenção. As entregas totais da companhia somaram 702,8 mil barris de óleo equivalente em setembro, recuo mensal de 2,6%. No terceiro trimestre, porém, chegaram a 2,132 milhões de barris, alta de 4% ante o trimestre anterior e equivalente a 97,9% da produção.

Bancos veem cautela no curto prazo

O Bradesco BBI avaliou que os dados reforçam uma perspectiva mais cautelosa no curto prazo, já que a retomada depende da normalização das operações. Para o Itaú BBA, o resultado foi “levemente negativo”, sobretudo pelas falhas nos poços da Bahia e do Potiguar. As duas instituições mantêm recomendação neutra e preço-alvo de R$ 12.

O Itaú BBA estima que esse preço-alvo para o fim de 2027 representa potencial de alta de 2,6% em relação ao fechamento de quarta-feira (7). Já o Bradesco BBI apontou que há uma posição vendida relevante na ação: 7,66% das ações disponíveis para negociação estavam alugadas, com cobertura equivalente a 11,78 dias.

Recuperação operacional será ponto de atenção

Uma posição vendida ocorre quando investidores apostam na queda de uma ação, geralmente alugando papéis para vendê-los e recomprá-los depois. Se surgirem sinais de recuperação operacional, parte desses investidores pode recomprar as ações para encerrar a posição, ampliando movimentos de alta. Por outro lado, novos resultados fracos podem manter o papel mais sujeito a oscilações.

Para quem acompanha a RECV3, o próximo foco é verificar se a produção se normaliza e se os problemas que afetaram os campos perdem força. O petróleo acima de US$ 100 oferece um fator favorável ao setor, mas os dados de setembro mostram que, no caso da PetroReconcavo, o volume produzido também pesa na avaliação do mercado.