Um protesto realizado em Nova York projetou uma imagem criada por inteligência artificial (IA) de Flávio Bolsonaro entregando a faixa presidencial brasileira a Donald Trump. A ação, feita na madrugada de 22 de setembro de 2026, ocorreu horas antes do discurso de Luiz Inácio Lula da Silva na abertura da Assembleia Geral da ONU e levou ao debate internacional a suspeita de influência estrangeira na eleição brasileira.

Onde a imagem foi projetada e qual era a mensagem

A intervenção foi organizada pela Choose Democracy em parceria com ativistas brasileiros. As projeções apareceram em pontos conhecidos de Nova York, como a ponte do Brooklyn e a torre de ventilação do Holland Tunnel.

A imagem não representa um acontecimento real, mas foi usada como recurso visual de protesto para sugerir um possível alinhamento entre setores do bolsonarismo e o governo norte-americano. A escolha da IA reforça o caráter simbólico da ação e busca chamar a atenção da imprensa e dos participantes da reunião da ONU.

Organizadores questionam influência estrangeira

Segundo os organizadores, o objetivo foi questionar a possibilidade de autoridades estrangeiras influenciarem decisões sobre o futuro político do Brasil. A manifestação também tenta associar o debate eleitoral brasileiro à defesa da soberania nacional.

“Democracia não é apenas sobre quem ocupa um cargo. Diz respeito a quem tem o direito de decidir o futuro de um país”, afirmou Daniel Hunter, da Choose Democracy. A organização surgiu nos Estados Unidos durante a eleição de 2020, quando Trump questionava publicamente se reconheceria um resultado desfavorável. Naquele pleito, o republicano perdeu para Joe Biden.

Lula intensifica alerta sobre possível interferência

A ação ocorreu em um momento em que Lula vem colocando a soberania brasileira no centro de suas declarações. Em entrevista concedida na segunda-feira (21), o presidente afirmou ter pedido diretamente a Trump que não se envolvesse na eleição brasileira.

De acordo com Lula, Trump teria indicado a interlocutores que não pretende interferir no pleito. O presidente brasileiro também citou sua preocupação com a proximidade do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, com integrantes do bolsonarismo, embora tenha reconhecido que a avaliação sobre uma eventual interferência de Rubio ainda é uma suspeita.

Relatório da Abin e tensão comercial ampliam o cenário

A preocupação do governo brasileiro ganhou força após um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apontar risco de influência dos Estados Unidos na eleição. O documento foi encaminhado, no fim de agosto, ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral.

O tema se mistura à tensão comercial entre Brasília e Washington. Lula tem criticado as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e afirma que o Brasil poderá adotar medidas de reciprocidade caso as negociações não avancem. Ao mesmo tempo, o governo diz que não pretende retaliar enquanto o diálogo continuar.

O que observar após o protesto em Nova York

Para quem investe, trabalha ou consome no Brasil, a projeção não muda diretamente preços, juros ou empregos. O efeito prático depende de os sinais políticos se transformarem em decisões concretas sobre comércio, tarifas ou relações diplomáticas, que poderiam afetar empresas exportadoras e o custo de produtos negociados com o exterior.

Os próximos pontos de atenção são o discurso de Lula na ONU, eventuais manifestações de Trump e Rubio sobre a eleição brasileira e a evolução das negociações comerciais. Até agora, a imagem projetada funciona como uma ação política e de comunicação, não como evidência de que uma interferência estrangeira tenha ocorrido.