A PPSA vendeu 4,9 milhões de barris, ou 38% dos 12,9 milhões de barris ofertados no 8º Leilão Spot da estatal, realizado em 26 de agosto. TotalEnergies e Petrobras foram as vencedoras da disputa, enquanto quatro dos oito lotes ficaram sem comprador e voltarão ao mercado em setembro. O resultado mostra a demanda efetivamente contratada pelo petróleo da União em uma operação de curto prazo.
TotalEnergies levou a maior parte dos lotes vendidos
A francesa TotalEnergies arrematou três lotes, que somam 4 milhões de barris. Todas as cargas são provenientes do Campo de Búzios, na Bacia de Santos, uma das principais áreas produtoras do pré-sal brasileiro.
A Petrobras venceu o lote 4, com 900 mil barris originários do Campo de Atapu. Os carregamentos dos lotes vendidos estão previstos para ocorrer entre outubro e dezembro de 2026. Os preços negociados não foram divulgados durante o certame e serão publicados 15 dias depois do embarque de cada carga.
Como funciona a venda no modelo spot
Um leilão spot é uma operação de venda para entrega imediata ou em prazo curto, diferente de contratos de longo prazo, que programam fornecimentos por períodos mais extensos. Nesse formato, as empresas disputam cargas específicas e fazem ofertas durante a sessão.
As propostas foram apresentadas em tempo real, em uma reunião on-line com representantes das companhias. Os valores tiveram como referência o Brent datado, uma cotação usada no mercado internacional para petróleo físico com entrega em datas próximas. Ao todo, 16 empresas foram convidadas a participar.
Quatro lotes de Búzios serão oferecidos novamente
Os quatro lotes que não receberam propostas vencedoras também são compostos por petróleo do Campo de Búzios. A PPSA pretende reapresentá-los ao mercado em setembro, em uma nova tentativa de encontrar compradores para o volume restante.
A venda parcial significa que a estatal terá de reorganizar a comercialização dessas cargas, enquanto os compradores que participaram da disputa poderão avaliar novamente preços, condições de entrega e o cenário internacional do petróleo. Como as ofertas são vinculadas ao Brent, mudanças na referência global podem influenciar o interesse nas próximas rodadas.
Próximo leilão terá mais de 100 milhões de barris
Além das operações spot, a PPSA deve realizar no último trimestre de 2026 o 6º Leilão de Petróleo da União. O certame de longo prazo deverá ofertar mais de 100 milhões de barris, volume muito superior ao disponibilizado na rodada de agosto.
A data ainda não foi definida. A disputa havia sido programada inicialmente para 29 de julho e depois para 26 de agosto, mas foi adiada diante da instabilidade na indústria global de petróleo e gás associada ao conflito no Oriente Médio.
O que o resultado sinaliza para o mercado
O leilão é o mecanismo pelo qual o governo comercializa sua parcela do petróleo e do gás natural produzidos sob contratos de partilha no pré-sal. A participação da TotalEnergies e da Petrobras confirma a presença de grandes empresas na compra das cargas, mas a venda de 38% da oferta indica que a demanda ficou concentrada em parte dos lotes.
Para investidores e empresas do setor, os próximos pontos de atenção são a reapresentação dos quatro lotes em setembro, a divulgação dos preços efetivos após os embarques e a definição do leilão de longo prazo. Esses eventos ajudarão a mostrar como as companhias estão avaliando o petróleo brasileiro em meio às incertezas do mercado internacional.
