O Banco Central avalia interligar o Pix a sistemas de pagamentos instantâneos de outros países, um passo que poderia tornar remessas internacionais e compras no exterior mais rápidas e baratas. A sinalização foi feita nesta segunda-feira, no relatório de gestão do Pix, em meio à ofensiva do governo dos Estados Unidos contra o modelo brasileiro de pagamentos.

O que o Banco Central está avaliando

Segundo o BC, estão em discussão tanto interligações bilaterais com outros países quanto a participação em hubs multilaterais, plataformas que conectam vários sistemas nacionais de uma só vez. O objetivo é permitir que uma transação feita no Brasil chegue ao destino em poucos segundos, com o dinheiro convertido para a moeda local.

Na prática, isso significaria que um brasileiro que recebe pagamento de uma empresa nos Estados Unidos, por exemplo, poderia ver o valor entrar na conta em tempo real, sem depender de liquidação demorada e com menos camadas de cobrança no caminho.

Do monitoramento à integração de fato

Hoje, o BC já acompanha transações feitas com o Pix em outros países, mas por meio de parcerias entre instituições financeiras privadas brasileiras e estrangeiras. A interligação de sistemas é um estágio diferente: em vez de depender de acordos pontuais entre bancos, os próprios sistemas nacionais de pagamento conversariam entre si.

No relatório de 2023, a autoridade monetária dizia apenas que o Pix poderia “permitir, no futuro, a integração com sistemas de pagamentos instantâneos internacionais”. O documento atual é mais específico e mostra que o tema avançou dentro do banco.

O peso do ataque americano ao Pix

A discussão ganhou urgência depois que os Estados Unidos impuseram uma tarifa de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. O governo americano citou o Pix entre as práticas comerciais que considera desleais. No relatório, o BC argumenta que a interligação tem potencial para diminuir tarifas, aumentar velocidade, ampliar acesso e melhorar a transparência das transações transfronteiriças.

Com a interligação, o Pix deixaria de ser visto apenas como um sistema doméstico de pagamentos e passaria a integrar uma infraestrutura global de pagamentos instantâneos.

O que pode mudar para o consumidor

Se o projeto sair do papel, os efeitos seriam sentidos por quem envia dinheiro a parentes no exterior, por brasileiros que trabalham fora e por consumidores que compram em sites internacionais. Hoje, essas operações costumam envolver várias instituições, taxas de câmbio embutidas e espera de dias para o dinheiro ficar disponível.

Com a integração, esses pagamentos poderiam ser liquidados em segundos, com moeda convertida e menos intermediários. A promessa é de um sistema mais barato, acessível e transparente — o mesmo tipo de ganho que o Pix trouxe para transferências domésticas desde sua criação.

O próximo passo

O assunto ainda está em fase de avaliação. O BC não deu prazo nem apresentou cronograma para colocar a interligação em funcionamento. O avanço dependerá de acordos com outros países e da compatibilização de regras técnicas e regulatórias.

Para o brasileiro comum, o sinal importante é que o BC está tratando a internacionalização do Pix como prioridade. Se as conversas evoluírem, o impacto será direto no custo e na velocidade de operações que hoje são lentas e caras — e que afetam desde famílias que recebem remessas até pequenos negócios que vendem produtos no exterior.

Impacto para a sociedade

Se a interligação sair do papel, o custo e o prazo de remessas internacionais e de compras no exterior podem cair para brasileiros comuns, incluindo quem recebe dinheiro de parentes fora do país ou paga por serviços e produtos importados. A iniciativa pode baratear operações que hoje dependem de intermediários e demoram dias para serem concluídas.