O deputado federal Paulo Pimenta (PT) afirmou que a escolha de Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) representa um “pagamento” pela suposta proteção dada à família Bolsonaro durante a CPI do INSS. A declaração, feita em 20 de agosto, acrescenta uma acusação política à definição da chapa para as eleições de 2026 e recoloca no centro do debate as conexões entre as investigações sobre desvios no instituto, empresários e integrantes da oposição.

Pimenta relaciona vice de Flávio à atuação na CPI

Segundo Pimenta, Gaspar, que atuou como relator da comissão, teria impedido que as apurações avançassem até Flávio Bolsonaro. O deputado petista disse ter reunido elementos que ligariam o esquema investigado no INSS ao entorno do senador, mas afirmou que os requerimentos foram bloqueados durante os trabalhos.

“Esse camarada está sendo visto pelo Bolsonaro como pagamento por serviços prestados”, declarou Pimenta. Ele acusou Gaspar de ter protegido a família Bolsonaro tanto nas investigações sobre o INSS quanto em supostas relações com o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

Os requerimentos citados pelo deputado

Pimenta afirmou que apresentou 9 requerimentos para levar à CPI informações sobre uma pessoa próxima de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. De acordo com o deputado, a irmã de Antunes administraria o escritório de Flávio Bolsonaro em Brasília.

O parlamentar também mencionou uma mansão no Lago Sul que teria sido adquirida pelo escritório e financiada com recursos do BRB, o Banco de Brasília. Na avaliação de Pimenta, o caso indicaria uma conexão entre o suposto esquema no INSS, Flávio Bolsonaro, o banco estatal, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e outros envolvidos.

Acusações envolvem Banco Master e campanhas eleitorais

O deputado petista disse ainda que a CPI teria levantado dados sobre uma rede de relações entre a família Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Segundo Pimenta, as maiores doações individuais para as campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Jair Bolsonaro (PL) na eleição anterior teriam sido feitas por integrantes da família do empresário, incluindo o cunhado Fabiano Zetell, identificado por ele como pastor evangélico.

Pimenta também afirmou que um jatinho de Vorcaro teria sido usado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) em viagens pelo país durante a campanha de Jair Bolsonaro. Na versão apresentada pelo deputado, os pedidos para investigar essas conexões foram barrados por Gaspar, o que teria evitado o aprofundamento das apurações.

O que a acusação representa para a disputa de 2026

A fala transforma a escolha do vice em um tema de disputa sobre a atuação parlamentar na CPI, e não apenas em uma decisão eleitoral. Pimenta classificou a aliança como uma combinação entre a “milícia do Rio de Janeiro” e práticas de corrupção incorporadas ao Estado, em referência às acusações sobre o INSS e às relações com Vorcaro.

As declarações foram apresentadas por Pimenta como interpretação política dos fatos e como denúncia de que a relatoria teria limitado a investigação. O material não apresenta uma conclusão da CPI que confirme essas acusações nem detalhes de eventual manifestação de Gaspar ou dos demais citados.

Próximos passos e efeito para o eleitor

O desdobramento depende da divulgação de documentos, da eventual retomada dos requerimentos e das respostas dos envolvidos. Para o eleitor, o ponto central será distinguir acusações de campanha, indícios documentados e conclusões formais das investigações. Para as contas públicas, a importância do caso está em esclarecer se recursos, instituições financeiras públicas ou estruturas do Estado foram usados de forma irregular, algo que poderia gerar novas apurações e responsabilidades.