O PIB brasileiro do segundo trimestre de 2026 e os novos dados de emprego dos Estados Unidos estão entre os principais indicadores acompanhados pelos mercados nesta terça-feira (1º). O resultado da atividade doméstica veio acima da expectativa, enquanto a economia americana se prepara para divulgar números que podem alterar as apostas sobre os juros do Federal Reserve; ao mesmo tempo, a alta do petróleo ampliou a pressão sobre os ativos de risco.
Ibovespa futuro recua com pressão externa
O Ibovespa futuro caiu 0,36%, aos 179.380 pontos, após a abertura dos negócios, às 9h de Brasília. O movimento acompanhou a piora no exterior, com os investidores reagindo à escalada das tensões entre Irã e Estados Unidos no Oriente Médio e à disparada dos preços da energia.
O dólar à vista abriu em alta de 0,21%, a R$ 5,1910. O DXY, índice que compara a moeda americana com uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,18%, aos 99,610 pontos. Em Nova York, o futuro do S&P 500 recuava 0,65%, o Dow Jones futuro perdia 0,69% e o Nasdaq futuro caía 1,20%.
PIB cresce 0,5% entre abril e junho
O Produto Interno Bruto cresceu 0,5% no segundo trimestre, na comparação com os três primeiros meses do ano, e avançou 2% ante o mesmo período de 2025. O resultado veio levemente acima da estimativa de 0,4% reunida pela Reuters, mas representou uma desaceleração em relação à expansão de 1,1% registrada no primeiro trimestre.
O PIB mede o valor dos bens e serviços produzidos no país e ajuda o mercado a avaliar a força da economia. Um crescimento mais firme pode reduzir a necessidade de estímulos, mas também pode manter a demanda aquecida e dificultar a queda da inflação, especialmente quando os juros estão no centro das decisões de política monetária.
Emprego americano pode mexer com os juros globais
Nos Estados Unidos, a atenção se volta inicialmente ao relatório Jolts, que reúne dados sobre vagas de trabalho e será divulgado nesta terça-feira, e depois ao payroll, relatório mensal de empregos previsto para sexta-feira (4). Os números serão usados para medir a força do mercado de trabalho e a possibilidade de mudança na política de juros do Fed.
O tom considerado mais duro de Kevin Warsh no simpósio de Jackson Hole já elevou as expectativas de alta dos juros americanos neste mês. Dados de emprego muito fortes podem reforçar essa leitura, enquanto sinais de enfraquecimento tendem a reduzir a pressão por uma política monetária mais restritiva. A consequência chega ao Brasil por meio do dólar, dos fluxos de capital e das condições de financiamento.
Petróleo volta à faixa de US$ 90
O petróleo Brent para novembro subia 3,90%, a US$ 91,72 por barril, enquanto o WTI para outubro avançava 1,85%, a US$ 87,37. A alta da commodity aumenta as preocupações com a inflação mundial, porque encarece combustíveis, transporte e custos de produção.
Na Europa, a inflação anual da zona do euro acelerou de 2,9% em julho para 3,3% em agosto, impulsionada principalmente pela energia. A inflação subjacente, que exclui alimentos e combustíveis, caiu de 2,5% para 2,4%. O Stoxx 600 recuava 0,52%, aos 647,72 pontos, por volta das 9h20.
Imposto sobre petróleo e próximos eventos
No Brasil, o governo derrubou a liminar que suspendia a cobrança de um Imposto de Exportação de 12% sobre o petróleo. A decisão havia sido tomada pela Justiça do Distrito Federal na quinta-feira (27), em ação movida pela Associação Brasileira de Empresas de Exploração e Produção de Petróleo e Gás, e tinha validade prevista até 9 de setembro.
Para quem investe, o foco imediato estará na combinação entre PIB, petróleo e emprego americano, que pode definir o humor dos mercados e as expectativas para os juros. Para consumidores e trabalhadores, os efeitos mais diretos passam pelo custo dos combustíveis, pela inflação, pelo crédito e pelo ritmo da atividade econômica. No campo político, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado deve votar a PEC que trata do fim da escala de trabalho 6×1.
Impacto para a sociedade
O avanço do PIB mostra o ritmo da economia e pode influenciar as decisões sobre juros, que afetam crédito, financiamentos e investimentos. Já a alta do petróleo pode pressionar os preços de combustíveis e outros produtos, enquanto os dados de emprego dos Estados Unidos influenciam os juros globais e o câmbio no Brasil.
