A Polícia Federal abriu uma apuração para investigar a suspeita de que o governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, teria financiado uma agenda de extrema-direita no Brasil, com possível objetivo de interferir nas eleições de 2026. A alegação envolve US$ 1 milhão e um programa sobre lawfare e censura; até agora, porém, não há conclusão de que o dinheiro tenha sido destinado a grupos no país ou de que tenha ocorrido interferência eleitoral.

Apuração começou antes da abertura formal de inquérito

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou neste domingo, 4 de outubro, que a investigação já está em andamento. A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu a apuração na quinta-feira, e a área técnica da Polícia Federal designou a Diretoria de Inteligência para conduzir os trabalhos.

Por enquanto, trata-se de um procedimento preliminar. Rodrigues explicou que a corporação ainda não publicou a portaria de abertura de um inquérito policial, etapa formal que pode vir depois dessa análise inicial. A investigação preliminar permite verificar informações e reunir elementos antes de decidir se há base para instaurar o inquérito.

Suspeita envolve verba para programa sobre censura

O pedido da AGU teve como base a alegação de que o Departamento de Estado dos EUA teria destinado US$ 1 milhão de um fundo ligado a direitos humanos e democracia a um programa chamado “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”. A suspeita investigada é que o suposto financiamento integrasse uma iniciativa mais ampla de apoio a uma agenda de extrema-direita no país.

A destinação mencionada ainda é uma alegação sob apuração, não um fato confirmado pela PF. Também não há, nas informações divulgadas, identificação de beneficiários brasileiros, descrição de pagamentos realizados ou comprovação de que o programa tenha sido usado para influenciar o processo eleitoral. Esses pontos estão entre as questões que a investigação pode esclarecer.

Polícia não confirmou ameaça a embaixadas

Rodrigues também comentou outra apuração da PF, relacionada a possíveis atos contra instalações diplomáticas. Na sexta-feira, a corporação cumpriu dois mandados de busca e apreensão, um em São Paulo e outro nas proximidades do Distrito Federal, para investigar suspeitas de planejamento de ações que poderiam colocar em risco representações dos Estados Unidos.

O diretor-geral afirmou que a PF recebeu uma comunicação da embaixada norte-americana e verificou as informações. Até o momento, segundo ele, a investigação não encontrou elementos concretos que indiquem risco efetivo à embaixada dos EUA ou a outras representações diplomáticas. As missões dos Estados Unidos e da Austrália reduziram suas atividades na sexta-feira.

O que a investigação pode esclarecer

O próximo passo é a análise das informações pela Diretoria de Inteligência. A partir dos elementos reunidos, a PF poderá avaliar se publica a portaria de instauração de inquérito policial. A abertura da apuração, portanto, não equivale a uma conclusão sobre a existência de financiamento irregular ou de interferência nas eleições.

Para quem acompanha a política e a economia, o dado relevante neste momento é a existência de uma investigação sobre possível atuação externa no debate eleitoral brasileiro, e não um efeito já demonstrado sobre preços, juros ou investimentos. O avanço do caso dependerá da confirmação da origem e do destino dos recursos alegados e de eventuais vínculos com ações no Brasil.