O petróleo Brent disparou cerca de 4% e chegou a US$ 105 por barril nesta quinta-feira (10), renovando as preocupações com a oferta global e ajudando a pressionar o Ibovespa. Por volta das 10h10, o índice recuava 0,22%, aos 185.217 pontos, com queda mais acentuada da Vale e desempenho misto dos grandes bancos, enquanto uma nova pesquisa eleitoral adicionava incerteza ao ambiente doméstico.

Vale concentra a pressão entre as ações brasileiras

Às 10h36, os papéis da Vale (VALE3) renovavam a mínima do dia, com baixa de 2,33%, a R$ 77,26. A queda da mineradora teve peso relevante sobre o índice, que também era afetado pelo comportamento dos bancos e de empresas do varejo.

Entre os bancos, Santander units subiam 0,23%, Banco do Brasil avançava 0,14% e Bradesco tinha alta de 0,34%, enquanto Itaú recuava 0,19%. A combinação de desempenhos contidos e perdas em ações de maior peso limitava a capacidade de recuperação da bolsa.

Petróleo sobe com risco de interrupção no Oriente Médio

O Brent para novembro avançava 4,09%, a US$ 105,35, enquanto o WTI para outubro subia 4,59%, a US$ 100,43. Foi a primeira vez desde julho que os contratos voltaram a operar acima de US$ 100, em meio à escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e ao temor de interrupções no fornecimento.

A alta da commodity tende a afetar o Brasil por dois canais. O primeiro é o custo dos combustíveis, que pode pressionar a inflação e reduzir a renda disponível das famílias. O segundo é o impacto sobre juros: se o petróleo sustentar preços elevados, bancos centrais podem manter uma política monetária mais restritiva por mais tempo. A Opep também reduziu para 380 mil barris por dia sua previsão de crescimento da demanda mundial em 2026.

Petrobras avança, mas reversão da gasolina gera dúvida

As ações da Petrobras destoavam positivamente: às 10h21, Petrobras ON (PETR3) subia 1,34% e Petrobras PN (PETR4) avançava 1,61%. A valorização refletia o petróleo mais caro, que tende a elevar a receita da companhia, embora também aumente a pressão por reajustes domésticos.

A estatal confirmou que não aplicará o aumento de R$ 0,19 por litro na gasolina anunciado anteriormente, mas deixará de conceder um desconto de R$ 0,44 por litro na gasolina A a partir desta quinta. Para o Itaú BBA, a reversão reduz a previsibilidade da política de preços e levanta dúvidas sobre um possível reajuste do diesel, estimado pelo banco em R$ 1 por litro para recompor o alinhamento internacional.

Pesquisa eleitoral e exterior elevam a cautela

A pesquisa PoderData/Aya mostrou Flávio Bolsonaro com 47% das intenções de voto contra 45% de Luiz Inácio Lula da Silva em uma simulação de segundo turno. Os levantamentos da Futura e da AtlasIntel ainda estavam no radar dos investidores, que acompanham possíveis efeitos das eleições sobre as expectativas econômicas e fiscais.

No exterior, as bolsas de Nova York abriram em queda: Dow Jones recuava 0,32%, S&P 500 caía 0,52% e Nasdaq perdia 0,76%. O índice de preços ao produtor dos Estados Unidos veio amplamente mais alto, mas dentro do esperado, enquanto os rendimentos dos Treasuries subiam e o título de dez anos se aproximava de 5%. O mercado aguarda o índice de preços ao consumidor americano de sexta-feira (11).

O que observar no restante do pregão

O dólar comercial chegou a R$ 5,144, com alta de 0,64%, e os juros futuros avançavam. A combinação indica maior cautela: petróleo caro aumenta o risco inflacionário, a moeda americana mais forte encarece produtos importados e taxas futuras maiores tornam o crédito mais caro.

Na Europa, o Banco Central Europeu elevou a taxa de depósito de 2,25% para 2,50% ao ano e afirmou que o conflito no Oriente Médio mantém pressões inflacionárias. Para quem investe, consome ou trabalha, os próximos sinais relevantes são a evolução das tensões entre Estados Unidos e Irã, o comportamento dos combustíveis, os dados de inflação dos EUA e novas pesquisas eleitorais brasileiras.

Impacto para a sociedade

A alta do petróleo pode encarecer combustíveis e pressionar a inflação no Brasil, especialmente se o movimento persistir. O dólar mais forte também aumenta o custo de produtos importados e pode dificultar a queda dos preços ao consumidor, enquanto juros futuros maiores encarecem crédito e financiamento.