A queda do petróleo no mercado internacional se somou à realização de lucros e pressionou o Ibovespa nesta sexta-feira (11), mesmo com as bolsas dos Estados Unidos e da Europa em alta. Às 11h, o principal índice da B3 recuava 0,58%, aos 187.168 pontos, enquanto as ações de empresas ligadas a petróleo, mineração e siderurgia estavam entre as principais baixas do pregão.

Queda do petróleo pesa sobre Petrobras e outras produtoras

O petróleo Brent, referência internacional, caía 2,90%, para US$ 104,51 por barril. O WTI, parâmetro dos Estados Unidos, recuava 3,14%, a US$ 99,26. A baixa reduz as expectativas de receita e margem das companhias produtoras, o que explica a reação negativa das ações do setor.

Petrobras preferenciais (PETR4) recuavam 1,49%, enquanto os papéis ordinários (PETR3) cediam 1,50%. Prio (PRIO3) caía 1,82% e Brava Energia (BRAV3) perdia 1,65%. Apesar da queda no dia, o Brent ainda acumulava alta semanal de cerca de 8,4%, e o WTI, de 9,2%, em meio às preocupações com a oferta global provocadas pela guerra envolvendo o Irã.

Mineração e siderurgia ampliam a pressão sobre o índice

A fraqueza não ficou restrita ao setor de petróleo. A CSN (CSNA3) recuava 4,45%, e a Gerdau (GGBR4) caía 1,58%. A Vale (VALE3), uma das ações de maior peso no Ibovespa, operava em baixa de 0,83%.

Esses papéis têm forte influência sobre o índice por representarem empresas grandes e muito negociadas. Quando commodities recuam ou surgem dúvidas sobre a demanda global, investidores revisam as expectativas para exportações, receitas e resultados dessas companhias, aumentando o impacto sobre a Bolsa brasileira.

IPCA negativo melhora cenário, mas aumenta cautela

No Brasil, o mercado avaliava o IPCA de agosto, que registrou deflação de 0,32%, depois de uma alta de 0,07% em julho. Em 12 meses, a inflação acumulada desacelerou de 4,44% para 4,22%, em resultado ligeiramente melhor que o esperado.

Uma inflação mais baixa tende a reduzir a pressão por juros elevados, favorecendo o crédito e ativos de maior risco ao longo do tempo. Porém, a reação diária da Bolsa também depende das expectativas para a política monetária, dos dados dos Estados Unidos e do movimento de realização de lucros após a sequência recente de altas.

Dólar recua enquanto investidores ajustam posições

O dólar comercial caía 0,41%, cotado a R$ 5,083, abaixo de R$ 5,10. A combinação de moeda americana mais fraca e Bolsa em queda indica que os fluxos financeiros não estavam seguindo uma única direção: parte dos investidores buscava o diferencial de juros e o desconto dos ativos brasileiros, enquanto outra parcela reduzia posições em ações.

Na avaliação de Fábio Murad, da Wiser Asset, investidores também se preparavam para os próximos dados de inflação dos Estados Unidos e para a decisão do Federal Reserve. A cautela pode levar à realização de ganhos na Bolsa sem necessariamente indicar uma saída generalizada de recursos do país.

O que observar no mercado e no dia a dia

Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor subiu 0,4% em agosto, ante 0,1% em julho, enquanto o núcleo avançou 0,3%, depois de alta de 0,2%. Ainda assim, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq subiam 1,15%, 0,99% e 1%, respectivamente, às 11h.

Para quem investe, os próximos movimentos dependerão da combinação entre petróleo, inflação e expectativas para os juros no Brasil e no exterior. Para consumidores e empresas, uma eventual permanência do petróleo em níveis mais baixos poderia aliviar custos de combustíveis e transporte, mas a tensão no Oriente Médio mantém elevada a volatilidade e o risco de novas altas.

Impacto para a sociedade

A queda do petróleo pode aliviar pressões sobre combustíveis e inflação caso se mantenha, mas o preço ainda está acima de US$ 100 por barril. O IPCA negativo de agosto também afeta o cenário de juros, crédito e rendimentos de investimentos, embora não represente redução imediata de todos os preços no supermercado.