A alta do petróleo, que levou o Brent a se aproximar de US$ 100 por barril, e a cautela antes da próxima decisão do Banco Central Europeu (BCE) pressionaram as bolsas da Europa nesta terça-feira (8). O movimento refletiu o receio de que uma energia mais cara reacenda a inflação e limite o espaço para cortes de juros, deixando os principais índices próximos da estabilidade.
Índices terminaram o pregão sem direção única
O Stoxx 600, índice que reúne ações de grandes empresas europeias, recuou 0,05% e fechou aos 649,60 pontos. Em Londres, o FTSE 100 caiu 0,10%, para 10.811,66 pontos, enquanto o DAX, de Frankfurt, terminou estável aos 26.007,63 pontos.
Em Paris, o CAC 40 destoou positivamente e avançou 0,14%, aos 8.317,98 pontos. A combinação de perdas e ganhos modestos mostrou um mercado mais defensivo, sem uma tendência clara entre os setores.
Ataques no Oriente Médio elevaram o risco sobre o petróleo
Os ataques dos Houthis contra instalações de energia da Arábia Saudita aumentaram a preocupação com a oferta global de petróleo. A possibilidade de interrupções em uma região estratégica para a produção e o transporte da commodity impulsionou as cotações.
O petróleo mais caro preocupa os investidores porque eleva os custos de transporte, produção e energia. Se esse aumento persistir, pode ser repassado para bens e serviços, dificultando a queda da inflação e levando os bancos centrais a manter juros elevados por mais tempo.
Mercado aguarda sinalização do Banco Central Europeu
A próxima reunião do BCE está marcada para quinta-feira (10). O cenário considerado mais provável pela State Street Investment Management é de uma alta de 25 pontos-base, ou 0,25 ponto percentual, mas a principal atenção estará na indicação sobre os próximos passos da política monetária.
A Pimco trabalha com a possibilidade de uma pausa prolongada depois de setembro. Ainda assim, a gestora vê risco de novos aumentos caso as expectativas de inflação piorem. O petróleo, portanto, pode influenciar não apenas os mercados acionários, mas também a avaliação do BCE sobre o ritmo de aperto monetário.
Dados da Alemanha reforçaram a cautela
As exportações alemãs caíram 0,8% em julho ante junho, no primeiro recuo em seis meses. A queda foi inesperada e ocorreu com redução dos embarques para outros países da União Europeia e para a China.
O resultado acrescentou preocupação sobre a recuperação da maior economia europeia, especialmente porque o comércio exterior vinha sendo um dos motores de sua atividade. Assim, os investidores avaliaram ao mesmo tempo o risco de inflação mais persistente e sinais de fragilidade no crescimento.
Novartis teve a maior pressão entre as ações
Em Zurique, as ações da Novartis despencaram cerca de 10,5% depois que o medicamento experimental del-desiran falhou em um estudo clínico de fase avançada voltado a uma doença degenerativa muscular.
O revés ocorreu um dia após a farmacêutica informar que outro medicamento experimental, para colesterol, também não havia obtido sucesso em um estudo avançado. Para o Jefferies, a sequência de resultados aumenta a necessidade de aquisições e acordos para sustentar o crescimento da empresa depois de 2030.
O que observar após o fechamento europeu
Para quem investe, os próximos fatores de atenção são a decisão do BCE, a comunicação sobre os juros futuros e a evolução das tensões no Oriente Médio. Uma alta prolongada do petróleo pode pressionar ações e títulos ao elevar as expectativas de inflação, enquanto sinais de desaceleração econômica podem afetar empresas ligadas ao comércio e à indústria.
No cotidiano, o risco mais direto de uma commodity energética mais cara é a pressão sobre combustíveis e outros custos. No Brasil, porém, o efeito dependerá da duração do choque e de sua transmissão aos preços domésticos.
Impacto para a sociedade
A alta do petróleo pode aumentar a pressão sobre os preços dos combustíveis e, indiretamente, sobre a inflação no Brasil, caso o movimento persista. Além disso, decisões do BCE influenciam o custo do dinheiro e o comportamento dos mercados globais, afetando investimentos e condições de financiamento.
