A Petrobras entregou um balanço forte no segundo trimestre, com lucro líquido de R$ 52,44 bilhões e dividendos de R$ 17,4 bilhões, mas o mercado não sustentou a euforia: as ações chegaram a subir cerca de 2% após a divulgação e depois zeraram os ganhos. PETR3 fechou em queda de 0,38%, a R$ 47,13, e PETR4 recuou 0,36%, a R$ 41,98. O resultado veio acima das expectativas e reforça a tese de geração de caixa da estatal, mas também expõe os limites do otimismo em um cenário de preço do petróleo elevado e riscos políticos.
Os números do segundo trimestre
O lucro de R$ 52,44 bilhões apurado entre abril e junho é o terceiro maior da série histórica da companhia e ficou bem acima da projeção de R$ 44,7 bilhões levantada pela LSEG junto a analistas. O montante representa quase o dobro do lucro do mesmo período de 2025, impulsionado por uma combinação de aumento de produção e valorização do barril de petróleo.
O EBITDA ajustado alcançou US$ 19,0 bilhões, superando em 7,8% a estimativa da XP e em 5,7% o consenso do mercado. Esse número já inclui um impacto negativo de US$ 965 milhões referente ao imposto sobre exportações de petróleo. A companhia também anunciou dividendos de R$ 17,4 bilhões, no topo das projeções.
O que explica o lucro recorde
O resultado refletiu dois fatores principais: o aumento da produção e a alta do petróleo. A produção de petróleo no Brasil subiu 15,2% na comparação anual, para 2,69 milhões de barris por dia, um recorde. Contribuíram o ramp-up de sistemas de produção e a entrada da plataforma P-79 no campo de Búzios.
O preço médio do Brent subiu para US$ 104,52 por barril no trimestre, ante US$ 67,82 um ano antes. A escalada é reflexo da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que começou no fim de fevereiro e reduziu parte da oferta global da commodity. Com menos petróleo disponível no mercado, os preços disparam e aumentam o caixa de produtores como a Petrobras.
Por que as ações não seguiram o balanço
A reação do mercado indica que parte do resultado positivo já estava nos preços. Em períodos de alta do petróleo e bons números, é comum investidores realizarem lucros após o anúncio — o chamado movimento de “vender a notícia”. Além disso, o cenário político e a possibilidade de interferência do governo na política de preços da estatal seguem como riscos de desconto no papel.
A própria XP, embora construtiva com a tese, apontou que os riscos estão ligados à trajetória do petróleo e ao cenário político. O balanço forte mostra que a companhia está operando bem, mas a sustentabilidade da geração de caixa depende de fatores externos e de decisões internas que podem mudar o fluxo de dividendos futuros.
O que isso significa para quem investe
Para o investidor, o trimestre reforça a capacidade da Petrobras de distribuir dividendos generosos, mas não elimina a volatilidade. A queda de hoje é um lembrete de que resultados passados não garantem retornos futuros, e que o preço do petróleo e as decisões do governo continuarão ditando o ritmo da ação.
No próximo trimestre, o mercado deve acompanhar a evolução da plataforma P-79, os números de produção e o comportamento do Brent — especialmente se o conflito no Oriente Médio se prolongar. Para quem já é acionista, acompanhar os comunicados sobre a política de dividendos é essencial; para quem está de fora, a janela de oportunidade dependerá do equilíbrio entre os fundamentos fortes e os riscos políticos que ainda rondam a empresa.
