As ações da Petrobras avançaram forte nesta quinta-feira (27) e acrescentaram quase R$ 20 bilhões ao valor de mercado da companhia em um único pregão, impulsionadas pela alta do petróleo e pela suspensão judicial do imposto de exportação. Por volta das 16h, a estatal se aproximava novamente da marca de R$ 585 bilhões em valor de mercado, enquanto os papéis preferenciais subiam 2,70%, a R$ 42,57.

Alta do petróleo reforça perspectiva para a Petrobras

As ações ordinárias da Petrobras, identificadas pelo código PETR3, avançavam 2,81%, a R$ 47,22, no mesmo horário. Já as preferenciais, PETR4, eram os papéis mais negociados da B3, com cerca de 43,9 mil negócios e giro financeiro de R$ 1,416 bilhão.

O principal fator externo foi a valorização do petróleo Brent, referência internacional para a commodity. Os contratos mais líquidos para agosto encerraram o dia com alta de 1,82%, a US$ 88,52 por barril, na bolsa de Londres. Para uma petroleira, preços maiores tendem a melhorar a receita obtida com a venda da produção e podem elevar as expectativas de geração de caixa, embora o efeito final também dependa de custos, produção e decisões comerciais.

Suspensão do imposto melhora a expectativa do setor

No cenário doméstico, a Justiça Federal do Distrito Federal suspendeu a cobrança do Imposto de Exportação de petróleo, cuja alíquota era de 12%. A decisão tem vigência prevista até 9 de setembro e foi concedida em caráter liminar, após ação apresentada pela Associação Brasileira de Empresas de Exploração e Produção de Petróleo e Gás.

Na prática, o imposto reduz o valor recebido pelas empresas quando exportam petróleo. A suspensão, portanto, tende a melhorar a rentabilidade potencial dessas operações e diminui uma incerteza regulatória para o setor. Mesmo que a Petrobras venda parte relevante de sua produção no mercado interno, a medida afeta as condições econômicas de toda a cadeia e foi interpretada positivamente pelos investidores.

Decisão ocorre enquanto governo discute prorrogação

A liminar foi proferida no mesmo dia em que o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior, o Gecex da Camex, se reuniu para decidir sobre a possível prorrogação do tributo. A cobrança havia sido adotada pelo governo para enfrentar os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o mercado brasileiro e ajudar a cobrir custos ligados ao subsídio da gasolina e do diesel.

O juiz Diego Câmara, da 17ª Vara Federal do Distrito Federal, afirmou que a reedição da medida provisória defendida pelo Ministério da Fazenda não poderia ocorrer por ato infralegal, pois a proposta teria sido tacitamente rejeitada pelo Congresso neste ano. A decisão, contudo, é provisória e ainda pode ser contestada ou modificada.

Petroleiras acompanham movimento da estatal

A reação positiva não ficou restrita à Petrobras. As ações da PetroReconcavo, RECV3, subiam 2,70%, para R$ 10,65, enquanto os papéis da Prio, PRIO3, avançavam 0,94%, a R$ 61,33, por volta das 16h.

A Brava Energia, BRAV3, destoava do setor e recuava 0,06%, para R$ 17,71. O papel continuava refletindo as incertezas sobre o futuro da companhia sob gestão da Ecopetrol, o que limitou a participação da empresa na alta das petroleiras.

O que observar depois da alta das ações

Para quem investe, o movimento mostra como a Petrobras é sensível simultaneamente ao preço internacional do petróleo e às decisões de política econômica no Brasil. A alta do dia elevou o valor atribuído à empresa pelo mercado, mas não elimina os riscos associados à volatilidade da commodity, à definição de impostos e à condução da política de combustíveis.

Os próximos pontos de atenção são o desfecho da discussão no Gecex e a evolução da decisão judicial até 9 de setembro. Também será importante acompanhar se os preços do petróleo permanecem elevados e como a Petrobras traduz esse ambiente em produção, vendas e resultados. A valorização registrada nesta quinta-feira representa a percepção dos investidores naquele momento, e não uma garantia de desempenho futuro.

Impacto para a sociedade

A suspensão do imposto de exportação pode influenciar as decisões do governo sobre subsídios e preços de gasolina e diesel, embora não haja indicação de mudança imediata nas bombas. Como o petróleo é uma commodity relevante para a economia brasileira, alterações em sua cotação podem afetar custos de transporte, inflação e despesas das famílias.