Petrobras e Cosan tiveram seus preços-alvo elevados, enquanto XP e Nubank ganharam preferência entre as ações que podem se beneficiar de juros menores. As revisões feitas por bancos nesta segunda-feira (5) mostram como a expectativa de mudança na orientação econômica após o primeiro turno está alterando as apostas no mercado — sem, porém, significar que a queda dos juros esteja garantida.

Petrobras e Cosan recebem novos preços-alvo

O Bradesco BBI elevou o preço-alvo da Petrobras para o fim de 2027 de R$ 52 para R$ 62 e aumentou a participação da estatal em sua carteira de ações brasileiras. O banco vê espaço para ganhos com venda de ativos, redução de custos e uma alocação de capital mais concentrada. Também considera a produção acima do esperado e margens maiores para o diesel.

O banco espera ainda reajustes nos combustíveis depois da eleição. Essa é uma projeção, não um anúncio de mudança nos preços. No caso da Cosan, o preço-alvo subiu de R$ 4,60 para R$ 6, e a holding passou a figurar entre as principais escolhas do Bradesco BBI no setor, ao lado de Petrobras e Compass. Juros menores podem reduzir o custo da dívida da Cosan, aumentar os dividendos recebidos por ela e valorizar ativos que estão à venda.

XP e Nubank aparecem como apostas sensíveis aos juros

A XP também ganhou espaço na carteira do Bradesco BBI, que a considera uma das empresas de grande porte mais expostas à volta de investidores locais para a bolsa. Hoje, parte do dinheiro desses investidores está em aplicações ligadas ao CDI. Se os juros caem, essas aplicações tendem a oferecer retornos menores, o que pode tornar ações mais atraentes, embora envolvam riscos diferentes.

O Morgan Stanley calcula que, historicamente, a XP subiu cerca de 15% para cada ponto percentual de queda nos juros longos. O Nubank, por sua vez, é visto pelo banco como a ação financeira com maior sensibilidade própria: cerca de 8,1% para cada ponto de queda, descontado o efeito da alta geral da bolsa. Os dois são as preferências do Morgan Stanley para essa tese. O banco mantém cautela com PagBank e Stone devido à desaceleração do crescimento.

Banco do Brasil e small caps entram no radar

O Bradesco BBI também aumentou a posição em Banco do Brasil. O papel avançou entre os grandes bancos na abertura do pregão, e o Morgan Stanley estima alta de aproximadamente 13% para cada ponto percentual de queda dos juros longos. Mas, segundo o banco, boa parte dessa relação vem da valorização geral da bolsa quando os juros recuam; a sensibilidade própria da ação é menor.

Entre empresas menores, a Ecorodovias entrou na carteira do Bradesco BBI como exposição a companhias mais sensíveis aos juros. O banco estima que o lucro da concessionária em 2027 aumente cerca de 20% para cada ponto percentual de queda da Selic. A seleção inclui ainda Ânima, Movida, MRV, Pague Menos, Iochpe-Maxion, Vamos, Cogna, Hapvida e Dexco. Na média, o lucro dessas empresas cresceria 18% por ponto de queda, com a Ânima no topo, a 62,8%.

Expectativa de juros menores muda a composição das carteiras

Para abrir espaço às apostas mais sensíveis aos juros, o Bradesco BBI reduziu de 20% para 15% a parcela defensiva de sua carteira, retirou Axia e diminuiu posições em Itaú, Rede D’Or e Equatorial. O banco projeta a Selic em 11% no fim de 2027, cerca de 2,5 pontos percentuais abaixo do nível indicado pela curva de juros negociada no mercado.

A expectativa de juros menores também apareceu na reação do pregão: na abertura desta segunda, o Ibovespa alcançou 209 mil pontos, os grandes bancos subiram até 10,88% e as taxas dos contratos de juros futuros longos recuaram até 0,9 ponto percentual. Juros mais baixos reduzem o custo de empréstimos e dívidas e podem elevar o valor atribuído aos lucros futuros das empresas. Mas as revisões são cenários de bancos, não garantias de retorno: o rumo da política econômica e as próximas decisões sobre juros podem mudar essas apostas.