A recuperação das ações da Petrobras ajudou o Ibovespa a fechar em alta de 0,44% nesta terça-feira (22), aos 187.422,92 pontos, levando o índice a acumular valorização de 5,64% em setembro. O movimento ocorreu em um pregão de pouca direção, com investidores atentos ao cenário eleitoral, à ata do Banco Central e à queda do petróleo no exterior.

Petrobras sustenta o avanço do principal índice da bolsa

As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) subiram 0,73%, enquanto os papéis ordinários (PETR3) avançaram 0,61%. A recuperação ocorreu mesmo com o petróleo Brent recuando 1,09%, para US$ 99,25 o barril, em sua quinta sessão consecutiva de queda.

Entre os fatores específicos da companhia, a diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação, Renata Baruzzi, afirmou que a Petrobras enviará uma sonda de perfuração à Bacia da Foz do Amazonas em janeiro. A operação dará início aos trabalhos em três novos poços.

O Ibovespa oscilou entre a mínima de 184.976,81 pontos e a máxima de 187.671,74 pontos. O volume financeiro negociado somou R$ 30,23 bilhões, refletindo um dia sem grandes movimentos, segundo Jerson Zanlorenzi, sócio e responsável pela mesa de ações do BTG Pactual.

Fluxo estrangeiro impulsiona ganho de setembro

Além da contribuição da Petrobras, o desempenho mensal do índice vem sendo favorecido pelo retorno do investidor estrangeiro à bolsa brasileira. Dados da B3 mostram saldo positivo de R$ 9,23 bilhões em capital externo até o dia 18 de setembro.

A entrada de recursos internacionais aumenta a demanda por ações e pode sustentar a valorização de empresas com grande peso no Ibovespa. Ainda assim, o mercado permanece cauteloso diante da proximidade do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. A avaliação é que muitos investidores aguardam novas pesquisas antes de ampliar posições.

Ata do Copom mantém juros no centro das decisões

O Banco Central divulgou a ata da reunião mais recente do Copom, que manteve o tom do comunicado divulgado na semana anterior, quando a Selic foi reduzida para 13,75% ao ano.

A Selic é a taxa básica de juros da economia. Quando recua, aplicações pós-fixadas tendem a oferecer remuneração menor, enquanto o custo de crédito pode diminuir gradualmente. Para as empresas, juros mais baixos também podem reduzir despesas financeiras e melhorar as perspectivas de investimento e lucro, fatores que costumam apoiar as ações.

O efeito, porém, não é automático. A taxa continua elevada, e as expectativas políticas e econômicas ainda influenciam a percepção de risco dos investidores. Por isso, a ata foi analisada em conjunto com a disputa eleitoral e não isoladamente.

Vale, bancos e outras ações que movimentaram o pregão

A Vale (VALE3) subiu 0,39%, apesar da queda dos contratos futuros de minério de ferro na China. A mineradora confirmou a compra de 30% da Ligga S.A., mediante aporte de aproximadamente US$ 190 milhões, além da assinatura de contrato para adquirir minério de ferro sinter feed produzido pela empresa.

Suzano (SUZB3) avançou 2,81% após comunicar aumentos no preço da celulose para outubro: US$ 20 por tonelada na Ásia e US$ 50 nas Américas e na Europa. Entre os bancos, Bradesco (BBDC4) ganhou 1,49%, Itaú (ITUB4) subiu 0,23% e BTG Pactual (BPAC11) avançou 0,71%. Banco do Brasil (BBAS3) caiu 1,39% e Santander Brasil (SANB11) recuou 0,6%.

O que pode influenciar a bolsa nos próximos dias

O mercado deve continuar acompanhando novas pesquisas eleitorais, os próximos sinais do Banco Central sobre a trajetória dos juros e as negociações entre Estados Unidos e Irã. A possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz e a retomada das exportações sauditas pressionaram o petróleo, com reflexos potenciais sobre empresas produtoras.

Para quem investe, a alta de setembro combina fluxo estrangeiro, recuperação de empresas de grande peso e expectativas sobre juros, mas também ocorre em um ambiente de incerteza eleitoral e externa. Para consumidores e trabalhadores, a principal referência continua sendo a evolução da Selic e seus efeitos graduais sobre renda fixa, crédito e atividade econômica.

Impacto para a sociedade

A Selic em 13,75% ao ano influencia diretamente o rendimento de aplicações de renda fixa e, com o tempo, pode reduzir o custo de empréstimos e financiamentos. A alta da bolsa, porém, tem efeito mais indireto sobre a maioria das famílias e não muda imediatamente preços, salários ou contas do dia a dia.