O Parlamento Europeu defendeu o fortalecimento dos laços econômicos entre a União Europeia e o Brasil após a proposta de criação de um status de membro associado para o Canadá. A ideia amplia o debate sobre novas alianças comerciais e estratégicas do bloco em um cenário de incerteza sobre os Estados Unidos e de avanço da política industrial da China.

Brasil é citado ao lado de outras democracias

Bernd Lange, presidente do comitê de comércio do Parlamento Europeu, afirmou que a União Europeia deveria estreitar relações não apenas com o Canadá, mas também com Brasil, Indonésia, Japão e Coreia do Sul. A declaração foi dada na quarta-feira, 16 de setembro, no mesmo dia em que Ursula von der Leyen apresentou a proposta de aproximação com os canadenses.

Na avaliação de Lange, a imprevisibilidade das decisões dos Estados Unidos e a política industrial agressiva da China tornam mais importante o fortalecimento dos vínculos com países democráticos. A estratégia citada pelo eurodeputado envolve ampliar parceiros econômicos e reduzir a dependência de grandes potências em áreas consideradas estratégicas.

O que está por trás do possível status associado

Von der Leyen descreveu a iniciativa com o Canadá como uma “aliança para o futuro”, com cooperação em segurança econômica, indústria inteligente, tecnologia de ponta, defesa, energia, minerais críticos e baterias. Esses setores são relevantes porque concentram insumos e tecnologias necessários para a indústria, a transição energética e a produção de equipamentos avançados.

O chamado status de membro associado ainda não teve seu formato detalhado. Em termos práticos, a proposta não equivale à entrada plena na União Europeia, mas poderia criar mecanismos de cooperação mais profundos do que os existentes em uma relação comercial convencional. O modelo precisaria ser negociado e aprovado dentro do bloco.

Por que o Brasil aparece nesse desenho

A menção ao Brasil sinaliza que o país é visto como possível parceiro em uma estratégia de diversificação das relações econômicas europeias. O fortalecimento de vínculos pode envolver comércio, investimentos, cadeias industriais e acesso a matérias-primas, embora nenhuma medida específica para o Brasil tenha sido anunciada.

Para a União Europeia, ampliar a rede de parceiros pode ajudar a reduzir os efeitos de disputas comerciais e de interrupções nas cadeias de suprimentos. Para o Brasil, uma aproximação mais intensa poderia criar oportunidades para exportadores e empresas que participam de cadeias ligadas ao mercado europeu, mas os resultados dependeriam de acordos concretos e de sua implementação.

Proposta ocorre em meio a tensão com os EUA

A iniciativa europeia também tem dimensão geopolítica. Uma pesquisa da Abacus Data mostrou que 49% dos canadenses apoiariam uma adesão à União Europeia, enquanto 30% seriam contrários e 21% permaneceriam indecisos. Os percentuais se referem à sondagem realizada antes do discurso de von der Leyen.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu negativamente à proposta e afirmou que poderia impor tarifas muito pesadas ou interromper o comércio com a Europa caso considerasse a aproximação entre Canadá e União Europeia um ato hostil. A ameaça eleva o risco de novas barreiras comerciais entre os dois lados do Atlântico.

O que observar nos próximos passos

O ponto central agora é saber se a ideia de membro associado avançará dentro da União Europeia e quais regras seriam estabelecidas. Uma tentativa anterior de criar um arranjo semelhante para a Ucrânia perdeu força após críticas de países do bloco, mostrando que a proposta enfrenta obstáculos políticos.

Para o Brasil, a declaração de Lange representa um sinal diplomático e econômico, não um acordo imediato. Investidores e empresas terão de acompanhar eventuais negociações, mudanças em tarifas e iniciativas de cooperação. Enquanto isso, a disputa entre Estados Unidos, China e União Europeia continua sendo o principal fator a influenciar o ambiente global de comércio e investimentos.