O ouro da Venezuela mantido no Banco da Inglaterra deverá ser transferido para contas do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, de acordo com o deputado venezuelano Ramón López. A medida faz parte de um plano para financiar a reconstrução após os terremotos de 24 de junho, com recursos destinados a moradias, escolas e centros de saúde e submetidos a auditorias internacionais.
Como os recursos serão usados na reconstrução
López afirmou que o dinheiro só será liberado mediante a apresentação de um plano detalhado e de mecanismos de controle. A proposta prevê que os valores recuperados a partir dos ativos relacionados ao ouro sejam direcionados às áreas atingidas pelos tremores.
O desenho inclui investimentos em habitação, atendimento de saúde e unidades escolares. A intenção é vincular cada desembolso a uma finalidade específica, permitindo acompanhar quanto foi liberado, onde o recurso foi aplicado e quais obras ou serviços foram financiados.
Por que o ouro ficará em contas americanas
Na prática, a transferência para contas do Tesouro dos EUA não significa necessariamente o deslocamento físico das barras de Londres para os Estados Unidos. O mecanismo citado envolve a movimentação ou a custódia financeira dos recursos em contas controladas pelo Tesouro americano, que passaria a participar da administração dos pagamentos.
Esse formato busca criar uma camada adicional de supervisão sobre o dinheiro. Como o plano ainda depende de regras de liberação e de um programa detalhado de gastos, a transferência para as contas americanas funcionaria como instrumento de controle antes que os recursos fossem usados na reconstrução.
Auditoria internacional será condição para os pagamentos
O deputado disse que a prioridade é garantir que o ouro seja utilizado de forma adequada e auditado por empresas internacionais. A fiscalização deverá acompanhar continuamente os gastos, com o objetivo de aumentar a rastreabilidade dos recursos e reduzir o risco de desvios.
Esse tipo de controle é relevante porque o ativo está ligado a uma disputa política e institucional na Venezuela. Ao submeter os desembolsos a auditorias externas, o acordo tenta separar a aplicação emergencial do dinheiro de decisões políticas mais amplas e criar uma prestação de contas verificável.
Negociações envolvem governo e oposição
López integra a Assembleia Nacional eleita em 2015 e afirmou que o entendimento foi construído por representantes desse grupo e do chavismo. As delegações realizaram cinco sessões de trabalho em mesas técnicas e cinco reuniões plenárias conjuntas no primeiro ciclo de negociações, além de aprovar uma metodologia para a iniciativa.
O parlamentar negou que exista uma troca entre a liberação do ouro e uma reforma do Tribunal Supremo de Justiça. As duas discussões, segundo ele, foram tratadas separadamente. A primeira mesa técnica se concentrou na resposta à emergência de 24 de junho, enquanto a segunda abordou o fortalecimento da democracia, com atenção ao Judiciário e ao sistema eleitoral.
O que ainda precisa acontecer
A transferência para contas do Tesouro americano, por si só, não representa a liberação imediata do dinheiro para as vítimas. Ainda será necessário definir o plano de reconstrução, os critérios para autorizar os pagamentos e o modelo de auditoria internacional.
Para quem acompanha os mercados, o ponto central é que o ouro venezuelano passa a ser tratado como uma fonte potencial de financiamento emergencial sob supervisão externa, e não como um ativo de uso livre pelo governo. O próximo passo será transformar o acordo político em procedimentos concretos de custódia, desembolso e fiscalização.
