O ouro fechou em leve alta nesta quarta-feira (30), após dados de inflação dos Estados Unidos reduzirem as apostas em uma elevação dos juros pelo Federal Reserve em outubro. O movimento não compensou as perdas acumuladas: o metal terminou setembro com queda de 6,5%, em meio à incerteza sobre os próximos passos do banco central americano e à espera de novos dados sobre o emprego.

Inflação abaixo das projeções favoreceu o ouro

Na divisão Comex da bolsa de Nova York, o contrato mais líquido do ouro, com vencimento em dezembro, subiu 0,16% e encerrou a US$ 4.186,70 por onça-troy. O metal chegou a alcançar US$ 4.251,10 durante o pregão, mas perdeu parte do avanço antes do fechamento. A alta prolongou os ganhos da sessão anterior.

O impulso veio do PCE, índice de preços ligado aos gastos de consumo nos Estados Unidos, que ficou abaixo das estimativas dos analistas. O dado levou investidores a reduzir as apostas em uma alta dos juros pelo Fed na reunião de outubro. Quando a perspectiva de juros mais altos perde força, o ouro tende a ser favorecido: como não paga rendimentos, o metal fica relativamente mais atraente diante de aplicações que oferecem juros.

Expectativas para os juros continuam divididas

A reação, porém, foi limitada porque não há consenso sobre a decisão do banco central americano. A Capital Economics espera que o Fed mantenha os juros em outubro, enquanto o CIBC projeta um aperto monetário. Essa divergência deixa os investidores atentos aos próximos indicadores e às sinalizações da autoridade monetária.

O Commerzbank avalia que o ouro pode recuar até US$ 4.000 por onça-troy ou menos, dependendo do que o Fed indicar. Ao mesmo tempo, considera que os preços estão bem sustentados e prevê uma retomada da alta depois desse período de fraqueza. As projeções mostram como as expectativas para os juros podem influenciar a trajetória do metal.

Payroll de sexta-feira está no radar

O próximo dado importante para essa avaliação é o relatório de emprego dos Estados Unidos, conhecido como payroll, previsto para sexta-feira (2). Os números podem ajudar o mercado a estimar a situação da economia e a interpretar qual caminho o Fed poderá seguir. O ING destaca que as atenções agora se concentram nessa divulgação.

A espera pelo relatório também ajuda a explicar por que a alta desta quarta não apagou a perda mensal. Em setembro, o ouro recuou 6,5%, refletindo as incertezas sobre a trajetória dos juros americanos. A prata teve desempenho ainda mais fraco: caiu 0,95% no dia, para US$ 60,566 por onça-troy, e acumulou baixa de 9,5% no mês.

Petróleo em alta também limita os ganhos

Outro fator que pesou sobre o avanço do ouro foi a alta do petróleo, em meio à incerteza sobre um possível diálogo entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio. A combinação de fatores manteve o metal sob pressão, apesar do dado de inflação americano favorável aos preços durante o pregão.

Para quem acompanha o mercado, o fechamento deixa dois pontos no radar: a divulgação do payroll e as mensagens do Fed sobre os juros. Esses fatores podem alterar as expectativas que influenciam o ouro, enquanto a evolução das tensões no Oriente Médio segue relevante para o petróleo. Por ora, a pequena alta do dia convive com uma queda expressiva no balanço de setembro.