O ouro caiu 1,37% nesta sexta-feira (4), para US$ 4.476,60 por onça-troy, depois que o payroll de agosto, relatório de empregos dos Estados Unidos, veio mais forte do que o esperado. O resultado impulsionou o dólar e os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, movimento que reduziu a atratividade do metal e levou sua cotação para abaixo de US$ 4.500 por onça-troy.
Payroll forte muda as apostas para os juros do Fed
A criação de empregos acima das projeções reforçou a avaliação de que o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, ainda pode elevar os juros na reunião de setembro. A decisão, contudo, não está definida e dependerá também dos próximos dados de inflação.
O mecanismo é direto: juros mais altos aumentam o retorno de aplicações denominadas em dólar e tornam menos atraentes ativos que não pagam juros, como o ouro. Ao mesmo tempo, uma economia americana mais aquecida tende a fortalecer a moeda dos Estados Unidos, o que encarece o metal para investidores que operam em outras moedas.
Alta dos Treasuries pressionou o preço do metal
Os Treasuries, títulos da dívida pública americana, também reagiram ao relatório de emprego com alta nos rendimentos. Quando esses rendimentos sobem, o custo de oportunidade de manter ouro aumenta, já que o metal não gera pagamentos periódicos de juros ou cupons.
Na semana, o ouro para dezembro acumulou queda de 1,15%. A prata para o mesmo vencimento acompanhou o movimento e fechou em baixa de 1,41% na sessão, a US$ 66,74 por onça-troy, com recuo de 1,53% no período.
Inflação de agosto será o próximo teste para o mercado
O ING avaliou que o payroll fortaleceu o argumento a favor de uma alta de juros pelo Fed em setembro. A confirmação ou reversão dessa expectativa dependerá principalmente do índice de preços ao consumidor (CPI), previsto para a próxima sexta-feira, dia 11.
Na avaliação do Commerzbank, uma leitura de inflação moderada poderia reduzir as apostas em juros mais altos e voltar a dar suporte ao ouro. Por outro lado, um CPI ainda pressionado manteria o dólar e os rendimentos dos Treasuries em posição favorável, prolongando a pressão sobre o metal.
Movimentação de bancos centrais mantém suporte estrutural
Apesar da reação negativa aos dados de emprego, o ouro continua sendo acompanhado como reserva de valor por bancos centrais. Nesta semana, o Banco Central da Holanda transferiu cerca de US$ 12 bilhões em ouro depositado no Federal Reserve de Nova York para Londres, seguindo uma movimentação semelhante feita pelo banco central da França, que levou parte de suas reservas para Paris.
Para Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia, essas decisões indicam desconfiança em relação ao governo americano, mas o impacto financeiro direto tende a ser pequeno. Na prática, as instituições podem vender o ouro mantido nos Estados Unidos a compradores privados e recompor as reservas com aquisições na Europa, sem necessariamente provocar grandes remessas físicas entre os continentes.
O que observar nos próximos dias
Para quem investe, o foco imediato está no CPI americano e na comunicação do Fed, que podem alterar simultaneamente o dólar, os Treasuries e os metais preciosos. A queda de 1,37% mostra como o ouro reage rapidamente à perspectiva de juros maiores, mas não elimina os fatores de longo prazo que sustentam a demanda por reservas metálicas.
Para consumidores e empresas brasileiras, o canal mais relevante é o câmbio: um dólar mais forte pode elevar custos de produtos e insumos importados e influenciar a inflação. Já o efeito sobre trabalhadores e crédito depende de quanto tempo permanecerem elevadas as taxas americanas e de como esse ambiente afetará as condições financeiras globais.
Impacto para a sociedade
A alta do dólar pode encarecer produtos e matérias-primas importados, embora a queda do ouro, isoladamente, tenha efeito limitado no bolso. O principal impacto para os brasileiros depende de como os juros americanos e o câmbio evoluirão, pois ambos podem influenciar a inflação e as condições de crédito no país.
