O ouro recuou 0,88% nesta quarta-feira (26), para US$ 4.653,30 por onça-troy, pressionado pelo fortalecimento do dólar e pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries. O movimento veio após dados de inflação americana acima do esperado, que reforçaram a percepção de que o Federal Reserve pode manter os juros elevados por mais tempo.
Inflação medida pelo PCE ficou acima da meta do Fed
O Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) subiu 0,2% em julho. Na leitura acumulada informada para o ano, o indicador registrou alta de 3,7%, acima da previsão de 3,6% dos economistas consultados pela Reuters e distante da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve.
O PCE é acompanhado de perto pelo banco central americano porque mede a variação dos preços de bens e serviços consumidos pelas famílias. Uma inflação ainda persistente reduz o espaço para cortes de juros e mantém em discussão a possibilidade de uma nova alta da taxa, mesmo com sinais de desaceleração em partes da economia.
Como o dólar e os Treasuries pressionaram o metal
O ouro é negociado em dólar. Quando a moeda americana se valoriza, o metal fica mais caro para investidores que usam outras moedas, o que tende a reduzir a demanda e pressionar suas cotações. Esse efeito cambial se somou à alta dos rendimentos dos Treasuries, que são os juros pagos pelos títulos do governo dos EUA.
Juros maiores aumentam o chamado custo de oportunidade de manter ouro, um ativo que não paga juros nem dividendos. Com títulos americanos oferecendo retornos mais atrativos, parte dos investidores pode preferir a renda fixa em dólar, diminuindo o suporte ao metal precioso.
Mercado revisa o caminho dos juros americanos
O dado de inflação fortaleceu a leitura de uma postura mais restritiva do Federal Reserve. Para James Knightley, economista-chefe internacional do ING, a inflação continua avançando lentamente em direção à meta, mantendo em aberto a possibilidade de uma alta de juros ainda neste ano.
Na avaliação do ING, os juros americanos podem permanecer estáveis até meados de 2027. A Capital Economics, por sua vez, espera uma elevação de 0,25 ponto percentual em dezembro e outra no início de 2027, mas considera que o PCE acima do esperado não deve ser suficiente para levar o Fed a aumentar as taxas já em setembro. Atualmente, os juros dos EUA estão na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
Prata também terminou o pregão em baixa
O movimento negativo não ficou restrito ao ouro. A prata para setembro caiu 0,96% nesta quarta-feira, para US$ 68,02 por onça-troy, acompanhando a pressão causada pelo dólar mais forte e pelos rendimentos dos títulos americanos.
O desempenho dos metais mostra como dados de inflação podem alterar rapidamente as expectativas sobre juros e provocar ajustes em diferentes mercados. Ainda assim, a queda registrada no dia não define sozinha uma tendência para as cotações, que também respondem à percepção de risco, à demanda e às decisões de política monetária.
Discurso em Jackson Hole será o próximo foco
Os investidores aguardam agora o discurso de estreia de Kevin Warsh no Simpósio de Jackson Hole, marcado para sexta-feira (28). A fala poderá oferecer sinais sobre a avaliação do Fed a respeito da inflação e do momento adequado para alterar os juros.
Para quem investe, o principal ponto de atenção é a combinação entre inflação americana, dólar e Treasuries. Para consumidores e empresas brasileiras, uma eventual persistência dos juros altos nos Estados Unidos pode manter a moeda americana valorizada e afetar preços importados e condições de financiamento. A direção do ouro, porém, dependerá também dos próximos dados econômicos e das sinalizações do Federal Reserve.
Impacto para a sociedade
A alta dos juros americanos pode fortalecer o dólar e encarecer produtos importados, viagens ao exterior e alguns custos ligados a insumos cotados na moeda. No Brasil, mudanças nas condições financeiras globais também podem influenciar o câmbio, os investimentos e o custo de crédito, embora a queda do ouro, isoladamente, não altere diretamente as contas da maioria das famílias.
