O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, enviado ao Congresso nesta segunda-feira (31), prevê salário mínimo de R$ 1.741 no próximo ano. O valor representa aumento nominal de R$ 120, ou 7,4%, sobre os atuais R$ 1.621, e supera em R$ 24 a previsão apresentada anteriormente na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Valor do Orçamento supera a previsão da LDO
A proposta da LDO estimava um salário mínimo de R$ 1.717 para 2027. A nova cifra foi incluída no projeto do Orçamento depois da atualização dos parâmetros usados pelo governo para calcular a correção do piso nacional.
Se a previsão for confirmada, o reajuste começará a valer em janeiro de 2027. Na prática, o trabalhador receberá em fevereiro o pagamento referente ao primeiro mês do ano, conforme o calendário normal de remuneração.
Regra combina inflação e aumento real limitado
A elevação segue a regra aprovada no fim de 2025, que permite corrigir o salário mínimo pela inflação acumulada e acrescentar um ganho real limitado a 2,5%. O mecanismo busca preservar parte do poder de compra dos trabalhadores sem permitir que o aumento real ultrapasse o teto definido pela política fiscal.
O percentual de 7,4% é uma variação nominal, ou seja, não desconta a inflação do período. A parcela efetiva de aumento do poder de compra dependerá do comportamento dos preços e da inflação utilizada na fórmula de reajuste.
INPC até novembro pode elevar o piso
O valor de R$ 1.741 ainda não é necessariamente definitivo. A regra usa o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado entre dezembro de 2025 e novembro de 2026, indicador calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Se o INPC acumulado até novembro ficar acima da estimativa adotada no Orçamento, o governo deverá enviar uma mensagem modificativa ao Congresso no início de dezembro. Nesse cenário, o salário mínimo de 2027 poderá ficar acima dos R$ 1.741 previstos no PLOA.
Reajuste também tem efeito sobre as contas públicas
O salário mínimo funciona como referência para a renda de milhões de brasileiros e para despesas públicas vinculadas ao piso. Por isso, uma previsão maior aumenta tanto a renda nominal de quem recebe o mínimo quanto a necessidade de recursos para o pagamento dessas despesas.
Esse efeito ajuda a explicar por que a definição do salário mínimo é relevante para a política fiscal. Quando o valor sobe, há potencial de aumento do consumo das famílias beneficiadas, mas também cresce a pressão sobre o Orçamento, especialmente em um cenário no qual o governo precisa conciliar gastos obrigatórios e limites fiscais.
O que trabalhadores e investidores devem acompanhar
Para quem trabalha ou recebe benefícios atrelados ao piso, o principal ponto de atenção é a atualização do INPC até novembro. O indicador poderá alterar o valor final antes da confirmação do reajuste para janeiro de 2027.
Para os investidores, o número é uma informação importante na leitura das contas públicas e das projeções de consumo, mas ainda não representa o resultado definitivo. O próximo passo será a tramitação do PLOA no Congresso e, posteriormente, a revisão do cálculo pelo governo no início de dezembro, caso os dados de inflação exijam mudança.
Impacto para a sociedade
O novo valor afeta diretamente trabalhadores que recebem o piso nacional e eleva a renda nominal a partir do pagamento referente a janeiro de 2027. Também aumenta as despesas públicas vinculadas ao salário mínimo, enquanto o valor final ainda poderá mudar conforme a inflação até novembro.
