As ações do Nubank avançaram mais de 16% nesta sexta-feira (14), após o banco digital registrar lucro líquido recorde de US$ 1,061 bilhão no segundo trimestre de 2026. Foi a primeira vez que a companhia superou a marca de US$ 1 bilhão em ganhos em um único trimestre, resultado que reforçou a percepção do mercado sobre a capacidade de crescimento e rentabilidade da instituição.

Lucro do Nubank supera as previsões do mercado

O resultado ficou 49% acima do registrado no segundo trimestre de 2025, considerando os efeitos cambiais em uma base neutra. A cifra também superou em 10,6% o consenso da Bloomberg, de US$ 949,6 milhões. As estimativas de seis instituições financeiras reunidas pelo Prévias Broadcast apontavam para um lucro médio de US$ 958 milhões.

A receita líquida alcançou US$ 5,88 bilhões, crescimento de 39% em relação ao mesmo período do ano passado. Esse avanço indica que a expansão do negócio veio acompanhada de aumento na geração de receitas, e não apenas de cortes de custos ou efeitos pontuais sobre o resultado.

Rentabilidade supera a de grandes bancos brasileiros

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), indicador que mede quanto lucro uma instituição gera em relação ao capital dos acionistas, subiu para 33% no segundo trimestre. O índice era de 28% um ano antes e de 29% nos três primeiros meses de 2026, além de superar a expectativa de 30,1%.

Para efeito de comparação, o ROE do Itaú Unibanco opera na casa de 24%. Quanto maior esse indicador, maior tende a ser a eficiência da empresa em transformar o capital investido em lucro. No caso do Nubank, a melhora sugere que a expansão da base de clientes e da carteira de crédito vem ocorrendo com rentabilidade elevada.

Carteira de crédito cresce, mas inadimplência exige atenção

A carteira de crédito do Nubank chegou a US$ 39,4 bilhões no fim do trimestre, alta de 37% em 12 meses e de 5% em relação ao primeiro trimestre de 2026. O crescimento amplia o potencial de receitas com juros e serviços, mas também aumenta a exposição do banco ao risco de calote.

O índice de inadimplência entre 15 e 90 dias ficou em 4,8%, alta de 0,3 ponto percentual na comparação anual. Apesar da piora em 12 meses, o indicador recuou 5% ante o trimestre anterior. Esse movimento ajuda a explicar por que o mercado recebeu bem o balanço: o crédito cresceu fortemente sem uma deterioração contínua da qualidade da carteira no curto prazo.

Como os papéis reagiram na bolsa

Na B3, os BDRs do Nubank, negociados sob o código ROXO34, chegaram a subir 10,47% por volta das 11h30, cotados a R$ 13,30. Nos Estados Unidos, as ações NU negociadas na Bolsa de Nova York avançavam 10,41%, a US$ 15,38, naquele momento. Ao longo do pregão, a alta se ampliou para mais de 16%.

O movimento mostra que os investidores incorporaram rapidamente aos preços a combinação de lucro acima do esperado, rentabilidade crescente e expansão da carteira. Em ações, porém, a reação diária reflete expectativas e não garante que o mesmo ritmo de crescimento será repetido nos próximos trimestres.

O que o resultado significa para investidores e clientes

Para quem investe, os principais pontos a acompanhar daqui em diante são a manutenção do ROE em níveis elevados, a evolução da inadimplência e a capacidade de continuar aumentando a carteira sem pressionar excessivamente as despesas e as provisões para perdas.

Para clientes, o balanço não implica mudança automática nas taxas de empréstimos, cartões ou serviços. O resultado mostra uma instituição mais rentável e em expansão, mas os efeitos sobre crédito e produtos financeiros dependem das decisões comerciais do banco e da evolução da qualidade da carteira nos próximos resultados.