As ações do Nubank negociadas na Nasdaq caíram 8,98% nesta segunda-feira (28), para US$ 12,37, após rumores de que a fintech brasileira avalia comprar o banco digital britânico Monzo. A possibilidade de uma operação bilionária levantou dúvidas entre investidores sobre o preço e os desafios de integrar uma empresa de outro país.
Rumor de aquisição pressionou os papéis em Nova York
Por volta das 14h20, os papéis do Nubank recuavam quase 9% em Wall Street. A queda ampliava a desvalorização acumulada pela companhia desde o começo de 2026, que já passava de 26% naquele momento. O movimento mostra como uma notícia ainda sem confirmação pode afetar a avaliação de uma empresa quando há incerteza sobre o custo e os benefícios de uma possível decisão estratégica.
O Nubank afirmou que não comenta rumores nem especulações e reiterou o compromisso de comunicar assuntos relevantes para seus negócios. Até o momento, portanto, não há confirmação de que as empresas estejam negociando uma transação ou de que uma oferta tenha sido feita.
Faixa especulada supera avaliação anterior do Monzo
Os valores associados à possível aquisição vão de 8 bilhões a 10 bilhões de libras, equivalentes a cerca de R$ 55 bilhões a R$ 69 bilhões pelo câmbio atual. A faixa representa um prêmio expressivo em relação à avaliação de 5,2 bilhões de libras atribuída ao Monzo em sua rodada de captação de 2024.
Para o Nubank, o negócio poderia consumir até 20% de seu valor de mercado, conforme as estimativas citadas para a operação. Esse tamanho ajuda a explicar a reação dos investidores: quanto maior o desembolso, maior a preocupação de que a compra comprometa recursos que poderiam ser usados em outras frentes ou que o retorno demore a aparecer.
Monzo oferece escala e presença no mercado britânico
Fundado em 2015, o Monzo tem cerca de 16 milhões de clientes e oferece serviços digitais como conta corrente, crédito e investimentos. No último ano fiscal, sua receita cresceu 39%, para 1,7 bilhão de libras. O lucro ajustado antes de impostos avançou 20%, a 172,6 milhões de libras, enquanto os depósitos subiram 55%, para 25,7 bilhões.
A aquisição daria ao Nubank uma operação já estabelecida em um mercado desenvolvido, com marca, clientes, depósitos e infraestrutura bancária. O Monzo também começou a atuar na Irlanda e na Espanha e planeja ampliar sua presença na Europa Continental, o que poderia oferecer ao comprador uma base para crescer na região.
Compra mudaria a estratégia de expansão do Nubank
O Nubank tem crescido principalmente ao construir suas próprias operações, apoiado em tecnologia e atendimento de baixo custo. Segundo avaliação da XP Investimentos, entrar organicamente no Reino Unido seria difícil, diante da maturidade e da concorrência do mercado. Comprar uma empresa local poderia acelerar esse processo, mas também representaria uma mudança importante na forma como o banco se expandiu.
Os analistas destacam que uma aquisição dessa escala traria complexidade de execução que a companhia ainda não enfrentou. O principal precedente é a compra da Easynvest, em 2021, uma operação menor e realizada no mercado brasileiro. Integrar sistemas, equipes e estratégias em outro país pode exigir tempo e recursos, sem garantia de que as sinergias esperadas se concretizem.
Expansão internacional segue no radar dos investidores
O rumor surge enquanto o Nubank amplia sua atuação internacional. Nas últimas semanas, a empresa anunciou o início das operações nos Estados Unidos, com contas, cartões, cashback e transferências, e lançou o Nu Global, uma conta multimoeda. A eventual entrada no Reino Unido poderia reforçar essa estratégia, mas também elevar o compromisso financeiro e operacional assumido pela fintech.
Para quem acompanha a ação, os próximos pontos são uma eventual confirmação de negociações, os termos financeiros e a forma de pagamento — que poderia combinar dinheiro e ações. Sem anúncio oficial, a queda reflete sobretudo a avaliação do mercado sobre o risco de uma aquisição cara e complexa, não a conclusão de que o negócio será realizado.
