A Nu Asset colocou os ETFs no centro de sua estratégia de crescimento e pretende multiplicar por mais de dez o patrimônio que administra nessa classe, hoje em R$ 1,3 bilhão. A aposta acompanha a expectativa de que o mercado brasileiro de fundos de índice avance até R$ 1 trilhão — um salto possível diante do tamanho atual do setor, mas que ainda depende da adesão de investidores e da evolução das regras.

ETFs representam uma parcela pequena do mercado de fundos

Os fundos de índice, conhecidos pela sigla ETF, têm cotas negociadas na bolsa e buscam acompanhar um índice ou uma estratégia definida. No Brasil, há cerca de R$ 120 bilhões investidos nesses produtos, diante de aproximadamente R$ 10 trilhões aplicados em fundos no total. Isso equivale a cerca de 1,2% do patrimônio da indústria.

Para Pedro Mota, gestor de carteiras da Nu Asset, essa diferença abre espaço para a expansão dos ETFs. A expectativa de chegar a R$ 1 trilhão é uma projeção para o setor, não uma meta individual da gestora nem uma garantia de que o mercado alcançará esse valor. A Nu Asset, por sua vez, quer ampliar em mais de dez vezes os recursos sob gestão nessa categoria, sem indicar um prazo para atingir o objetivo.

Menor custo e transparência estão entre os atrativos

Uma das justificativas para a aposta é a possibilidade de usar ETFs em posições centrais de uma carteira de longo prazo. Essas aplicações, chamadas de “núcleo” de uma carteira, podem buscar exposição a mercados ou proteção contra a inflação. Segundo Mota, o investidor pode fazer isso comprando diretamente um título ou usando um fundo de índice.

Na avaliação do gestor, os ETFs podem tornar esse acesso mais eficiente e transparente. Como as cotas são negociadas em bolsa, o investidor acompanha o produto e compra ou vende suas cotas no mercado. A estrutura também reduz diferenças de acesso: em um mesmo ETF, investidores de diferentes portes compram o mesmo ativo e pagam a mesma taxa proporcional, ao contrário de fundos tradicionais em que grandes aplicações podem ter condições distintas.

Novas estratégias ampliam o cardápio de produtos

Os ETFs mais antigos costumam acompanhar índices amplos, como o Ibovespa. Já produtos mais recentes podem aplicar filtros transparentes para selecionar ativos dentro de um universo definido. Um exemplo citado pela gestora é o NU Ibov Smart Dividendos (NSDV11), que acompanha um índice criado em parceria com a B3.

Esse índice seleciona empresas do Ibovespa com base no histórico de pagamento de dividendos dos seis anos anteriores e dá mais peso aos proventos recentes. A Nu Asset afirma ter desenvolvido 13 ETFs do zero em conjunto com a B3. Esse tipo de produto permite oferecer estratégias diferentes sem que o investidor precise escolher individualmente cada ação que compõe o fundo.

Mudança de regra pode permitir ETFs de gestão ativa

Outro possível impulso depende de uma revisão regulatória. A Comissão de Valores Mobiliários estuda atualizar a norma que define o ETF como um fundo de índice. Se a regra mudar, poderá abrir caminho para fundos negociados em bolsa com gestão ativa, nos quais os gestores ajustam as posições de acordo com uma estratégia, em vez de apenas replicar um índice.

A mudança ainda está em estudo, portanto não significa que esses produtos já possam ser lançados no Brasil. Para a Nu Asset, a evolução das regras pode ampliar as possibilidades da categoria. O setor já caminha para além da simples cópia de índices tradicionais, com produtos que seguem critérios próprios e divulgados ao mercado.

Expansão depende de adesão e de mudanças no mercado

A estratégia da Nu Asset combina o crescimento de uma classe ainda pequena no país com a busca por novos formatos de investimento. A meta de multiplicar por mais de dez o patrimônio atual em ETFs representa uma expansão expressiva, mas o material não estabelece quando ela deve ocorrer. O objetivo de R$ 1 trilhão, por sua vez, se refere à expectativa para o conjunto do mercado brasileiro.

Para quem investe, a expansão pode significar mais opções de fundos negociados em bolsa e diferentes formas de acessar índices ou estratégias. Isso não elimina riscos: o valor das cotas pode oscilar, e cada ETF segue regras próprias. Os próximos passos a observar são o avanço da revisão da CVM e a capacidade dos produtos de atrair recursos em um mercado no qual os ETFs ainda representam uma fração do total investido em fundos.