O Nasdaq subiu 2,26% nesta segunda-feira (21) e encerrou o pregão em 27.122,09 pontos, renovando o recorde, enquanto o Dow Jones avançou 0,71%, para 52.050,26 pontos, e o S&P 500 ganhou 1,49%, aos 7.764,70 pontos. O movimento mostra uma combinação de maior apetite por risco, entusiasmo com a inteligência artificial e alívio provocado pela queda do petróleo e dos juros dos títulos do governo americano.
Ações de chips lideram a alta em Nova York
O avanço foi especialmente forte entre as empresas ligadas à inteligência artificial. O índice PHLX de semicondutores, que reúne fabricantes de chips, subiu 4,29%. A Intel se destacou com alta de 12%, enquanto a AMD avançou 10% durante a sessão.
Na máxima do dia, a AMD atingiu temporariamente US$ 1 trilhão em valor de mercado. A fabricante passou a integrar um grupo restrito de companhias do setor que alcançaram essa marca, movimento sustentado pela expectativa de aumento da demanda por chips usados em sistemas de inteligência artificial.
Por que a queda do petróleo ajudou as bolsas
O petróleo negociado nos Estados Unidos caiu 4% e ficou acima de US$ 95 por barril. O Brent recuou 3%, para pouco mais de US$ 100. A baixa reduz a pressão sobre custos de transporte, produção e energia e, em tese, diminui o risco de que a inflação permaneça elevada por mais tempo.
Esse efeito favoreceu também os títulos do Tesouro americano. A taxa da treasury de dez anos voltou a ficar abaixo de 5%, enquanto o rendimento do título de 30 anos recuou para menos de 5,3%. Quando os juros dos Treasuries caem, ações de empresas de crescimento tendem a ganhar atratividade, porque os lucros esperados para o futuro passam a ser descontados por uma taxa menor.
Mercado pode ter ajustes antes do fim do trimestre
Apesar do desempenho positivo, o comportamento das bolsas pode mudar nos próximos dias. Gestores costumam ajustar suas carteiras antes do encerramento do trimestre, em um movimento conhecido como window dressing, que envolve a compra ou venda de ações para alterar a composição apresentada nos relatórios aos clientes.
Esse tipo de operação pode ampliar altas ou quedas de curto prazo sem necessariamente representar uma mudança estrutural nas perspectivas das empresas. Por isso, o recorde do Nasdaq nesta segunda-feira reflete tanto o entusiasmo com a IA quanto fatores técnicos e financeiros que podem perder força adiante.
Visita de Xi Jinping entra no radar dos investidores
Os mercados também acompanham a visita do presidente chinês, Xi Jinping, à Casa Branca nesta semana. A expectativa é de discussões com Donald Trump sobre inteligência artificial, tarifas, minerais críticos e outros temas econômicos e políticos.
Eventuais sinais de entendimento entre Estados Unidos e China podem influenciar empresas de tecnologia, cadeias globais de produção e preços de matérias-primas. Já novos atritos comerciais tendem a aumentar a incerteza e pressionar companhias que dependem de fornecedores ou consumidores dos dois países.
O que observar depois do recorde do Nasdaq
Para quem investe, a sessão reforça a força das ações relacionadas à inteligência artificial, mas também evidencia a sensibilidade desses papéis aos juros e ao ambiente internacional. A queda dos rendimentos dos Treasuries ajudou a bolsa, enquanto uma eventual alta dos juros poderia produzir efeito contrário.
Nos próximos dias, os investidores devem acompanhar a evolução do petróleo, os rendimentos dos títulos americanos, as negociações entre Washington e Pequim e os ajustes de carteira antes do fim do trimestre. Esses fatores podem definir se o avanço desta segunda-feira ganhará continuidade ou será parcialmente devolvido.
