O CEO da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou nesta terça-feira (25) que mudanças no marco regulatório de cavidades podem destravar valor para os acionistas da mineradora ao permitir o avanço de projetos hoje limitados por regras ambientais. A principal oportunidade citada envolve a liberação potencial de 40 milhões a 50 milhões de toneladas adicionais de minério de ferro na Serra Sul, em Carajás (PA), o que ajudou a levar as ações VALE3 a uma alta próxima de 2% durante o pregão.

Como a regra de cavidades afeta os projetos da Vale

O chamado decreto de cavidades estabelece normas para a proteção de cavernas e formações subterrâneas no Brasil. As estruturas são classificadas de acordo com sua relevância ecológica, e essa classificação pode limitar ou até impedir a exploração mineral em determinadas áreas.

A modernização da norma, defendida como uma forma de diferenciar áreas de maior e menor sensibilidade ambiental, poderia flexibilizar o licenciamento de jazidas de ferro e cobre. Na prática, isso não significa uma autorização automática para a Vale: o avanço dependeria das mudanças regulatórias, dos estudos ambientais e das licenças necessárias.

O potencial de minério em Serra Sul

Durante a Exposibram, em Belo Horizonte, Pimenta indicou que as alterações podem permitir a análise e o desenvolvimento de volumes adicionais na operação de Serra Sul, em Carajás. O intervalo de 40 milhões a 50 milhões de toneladas representa uma oportunidade de expansão da produção, embora o cronograma, os investimentos e a efetiva aprovação dos projetos ainda dependam do processo regulatório.

Para os acionistas, o mecanismo de criação de valor está no aumento potencial da capacidade produtiva e das reservas economicamente aproveitáveis. Mais minério disponível pode elevar a geração de receita e diluir custos fixos, mas o resultado final também dependerá do preço internacional do minério, dos custos operacionais e das despesas necessárias para colocar o projeto em operação.

Por que VALE3 reagiu mesmo com o minério em queda

O minério de ferro fechou em queda nesta terça-feira, um fator que normalmente pesa sobre as ações da Vale. Ainda assim, os papéis chegaram à máxima de R$ 78,28, ante abertura a R$ 77,10. Por volta das 15h30, avançavam 1,14%, a R$ 78,01.

A reação sugere que o mercado deu mais peso à possibilidade de expansão estrutural da produção do que à oscilação negativa da commodity no dia. Em agosto, até o momento, VALE3 acumulava alta de 4,7%; em 2026, o ganho superava 10%. Essas variações refletem o desempenho até a data do pregão, e não uma garantia de continuidade.

Outros projetos que podem influenciar a mineradora

Pimenta também destacou a estratégia de ampliar a presença da Vale em metais associados à transição energética. A companhia pretende dobrar a produção de cobre nos próximos anos, enquanto mantém a expansão da extração de minério de ferro.

A empresa ainda avalia a produção de ferro briquetado a quente (HBI) no Brasil, um insumo com menor intensidade de emissões para a siderurgia. O projeto, porém, só avançaria no país se houver gás natural ou hidrogênio a preços competitivos. A Vale também analisa oportunidades em terras raras e outros minerais críticos, sob a exigência de disciplina de capital e retorno aos acionistas.

O que acompanhar daqui para frente

O principal próximo passo será observar se o marco regulatório de cavidades será efetivamente alterado e como a nova regra será aplicada aos projetos da Serra Sul. Até lá, o potencial anunciado permanece como uma opção de crescimento, e não como produção adicional já contratada ou disponível.

Para quem investe, os pontos de atenção combinam a evolução do licenciamento, os investimentos necessários, o preço do minério e a execução da estratégia de cobre. A gestão também monitora riscos climáticos: um possível super El Niño em 2027 poderia aumentar o risco de incêndios no Norte e de chuvas excessivas e paralisações no Sistema Sul.