O governo elevou de R$ 150 mil para R$ 200 mil o valor máximo dos carros que podem ser financiados pelo programa Move Brasil, voltado a motoristas de aplicativo e taxistas. O aumento de R$ 50 mil equivale a uma alta de 33,3% no limite e busca ampliar a procura por uma iniciativa cuja adesão ficou abaixo do esperado.

O que muda no limite do Move Brasil

A alteração foi estabelecida por uma portaria publicada em 19 de agosto e divulgada em uma edição extra do Diário Oficial da União. Com o novo teto, veículos que custam entre R$ 150 mil e R$ 200 mil passaram a caber no programa, aumentando o conjunto de modelos que podem ser considerados pelos profissionais.

A medida não significa que todos os participantes terão acesso automático ao valor máximo ou que o financiamento cobrirá necessariamente todo o preço do veículo. A contratação continua dependendo da análise e das condições oferecidas pelas instituições financeiras, além do enquadramento do comprador e do automóvel nas regras do programa.

Novos híbridos também entram na lista

A mesma portaria incluiu novos tipos de veículos híbridos entre os modelos elegíveis. Esses carros combinam motor a combustão e propulsão elétrica, mas o material não detalha quais versões específicas passaram a ser aceitas nem quais são os critérios técnicos aplicáveis a cada modelo.

Na prática, a ampliação do limite e a inclusão de híbridos aumentam a variedade de veículos que motoristas de aplicativo e taxistas podem avaliar. Para esses trabalhadores, o carro é também um instrumento de geração de renda, e fatores como custo de operação, disponibilidade e adequação ao serviço pesam na decisão de financiamento.

Por que o governo alterou as regras

A mudança ocorre depois de o governo reconhecer que a adesão ao Move Brasil está abaixo da expectativa inicial. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo mantém contato com as instituições financeiras para entender por que o programa não alcançou a procura esperada, mesmo contando com uma garantia do governo.

Essa garantia busca reduzir parte do risco assumido pelos bancos em uma operação de crédito. Ainda assim, ela não elimina a necessidade de avaliar a capacidade de pagamento do tomador, o risco do financiamento e as condições de cada instituição. Por isso, a existência da garantia pública não significa, por si só, que o crédito será aprovado para todos os interessados.

A participação dos bancos é um obstáculo

Segundo Durigan, os bancos públicos têm participado mais da operação, enquanto as instituições privadas demonstram menos apetite. No mercado de crédito, esse “apetite” se refere à disposição dos bancos para conceder financiamentos dentro das regras, taxas e riscos envolvidos.

Quando as instituições privadas participam menos, o alcance do programa pode ficar mais restrito, mesmo com a ampliação do limite dos veículos. A concorrência entre bancos também influencia as condições finais para o cliente, como taxa de juros, prazo, valor de entrada e tamanho das parcelas, embora esses detalhes não tenham sido informados para a nova regra.

O que observar daqui para frente

O próximo passo será verificar se o teto de R$ 200 mil e a inclusão de novos híbridos conseguem aumentar efetivamente a contratação do programa. A mudança amplia a possibilidade de financiamento, mas seu resultado dependerá da procura dos motoristas, da oferta de carros elegíveis e da disposição dos bancos em operar as linhas.

Para quem trabalha com transporte individual, a decisão exige comparar o custo total do financiamento com a renda gerada pelo veículo e as despesas de operação. Para consumidores e investidores, o principal efeito da medida está concentrado nesse segmento de crédito e na atividade dos profissionais atendidos, sem indicação, no material disponível, de impacto direto sobre o mercado financeiro como um todo.

Impacto para a sociedade

A mudança pode ampliar as opções de compra para motoristas de aplicativo e taxistas que dependem do carro para trabalhar, especialmente entre os modelos de maior preço. Na prática, porém, o novo teto não garante aprovação do financiamento nem reduz automaticamente o valor das parcelas, que também dependem das condições oferecidas pelos bancos.