A Monte Bravo mudou a composição da carteira recomendada para setembro e zerou as posições em Aura Minerals, Nvidia e Alphabet, que representavam 17,5% do portfólio. A nova seleção passou a incluir papéis como Vale e Axia Energia, além do ETF IVVB11, enquanto Vale, Suzano e Mercado Livre tiveram seus pesos elevados de 5% para 7,5% cada.

O que saiu e o que entrou na carteira

A corretora retirou Aura Minerals, Nvidia e Alphabet após avaliar que o potencial de valorização desses ativos diminuiu ou que a relação entre risco e retorno deixou de ser tão favorável. A troca também altera o perfil da carteira, que passa a ter uma exposição mais diversificada a empresas brasileiras e ao mercado acionário dos Estados Unidos.

No lugar da exposição direta a Nvidia e Alphabet, a Monte Bravo incluiu o IVVB11, fundo de índice negociado na B3 que busca acompanhar o S&P 500, principal referência das grandes empresas listadas nos Estados Unidos. Na prática, o ETF reduz a dependência do desempenho individual de uma única companhia, embora continue sujeito às oscilações das bolsas americanas e do dólar.

Por que a Aura Minerals foi retirada

A decisão sobre a Aura Minerals levou em conta o cenário geopolítico e a alta das taxas de juros reais nos Estados Unidos. Juros reais são aqueles descontados da inflação e, quando sobem, podem aumentar a atratividade de ativos de renda fixa em dólar e pressionar investimentos considerados proteção, como o ouro.

Como o ouro é o principal ativo ligado à operação da Aura, a mudança no ambiente internacional reduziu, na avaliação da corretora, o potencial da tese. A Monte Bravo também reconheceu que a saída elimina parte da proteção da carteira em um período próximo às eleições, mas considerou que o equilíbrio entre risco e possível retorno havia piorado.

Vale, Suzano e Mercado Livre ganham espaço

Vale, Suzano e Mercado Livre passaram a representar 7,5% cada, ante 5% anteriormente. O aumento reflete a preferência da equipe de análise por empresas com receitas ou preços relacionados ao dólar, característica que pode favorecer os resultados quando a moeda americana se fortalece.

A Vale também aparece entre os papéis incorporados à nova composição, ao lado de Axia Energia, enquanto as duas companhias integram a parcela estrutural da carteira. Essa categoria reúne empresas consideradas mais consolidadas, com histórico de resultados e geração de valor no longo prazo.

Como a carteira ficou dividida

A parcela estrutural corresponde a 67,5% do portfólio e reúne Itaúsa, Suzano, Vale, Rede D’Or, Sabesp, Axia Energia, Equatorial Energia, Mercado Livre e Nu Holdings. Cada posição dessa parte tem peso de 7,5%.

Outros 15% estão na carteira de momento, formada por Direcional Engenharia e Copel, também com 7,5% cada. Já a categoria de oportunidades da bolsa soma 17,5%: Iguatemi representa 7,5% e o IVVB11, 10%. Essa divisão combina empresas estruturais, ações com desempenho recente favorável e ativos sujeitos a eventos que podem alterar sua percepção de valor.

O que observar a partir de agora

Para quem acompanha a carteira, a principal mudança é a substituição de posições concentradas em empresas específicas por uma combinação de ações brasileiras e exposição ampla às bolsas americanas. Isso pode reduzir o impacto de problemas isolados em Nvidia ou Alphabet, mas não elimina os riscos de mercado, câmbio, juros e desempenho das companhias.

A composição também mostra uma preferência maior por empresas ligadas ao dólar e por ativos considerados estruturais. Os pesos divulgados são uma fotografia da estratégia para setembro, e os resultados efetivos dependerão da evolução dos preços das ações, do ambiente internacional e dos fundamentos de cada empresa.