O Brasil não pode abrir mão dos Estados Unidos como parceiro comercial, mas Washington não tem demonstrado comportamento de aliado, afirmou nesta quarta-feira (16) o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. A declaração sinaliza que o governo pretende preservar a relação com o segundo maior parceiro comercial do país, embora avalie que as barreiras impostas aos produtos brasileiros exigem uma estratégia de diversificação e proteção da indústria nacional.
Relação com Washington ficou mais difícil desde 2025
“Nós não podemos abrir mão dos Estados Unidos, mas vamos lembrar que eles não têm se mostrado grandes aliados. De maio do ano passado para cá está difícil, a relação não está simples”, disse o ministro durante a assinatura de um acordo de cooperação técnica entre o MDIC e o Sistema Indústria, na Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O principal problema citado foi a adoção de barreiras tarifárias, que elevam o custo de entrada dos produtos brasileiros no mercado americano. Na prática, uma tarifa pode reduzir a competitividade das exportações, pressionar margens das empresas e dificultar vendas, com possíveis efeitos sobre produção e emprego nos setores atingidos.
China e Estados Unidos pressionam estratégia comercial
Márcio Elias Rosa também classificou a China como uma grande ameaça ao comércio brasileiro. Segundo ele, o país está entre um parceiro que tenta conquistar mercados brasileiros, em referência aos chineses, e outro que se mostra hostil ao impor barreiras aos produtos nacionais: justamente os dois maiores parceiros comerciais do Brasil.
A avaliação expõe um dilema para a política econômica. A China é uma importante origem de produtos que competem com a indústria brasileira, enquanto os Estados Unidos são um destino relevante para as exportações. Reduzir a dependência de qualquer um dos dois exige encontrar novos compradores e fornecedores, sem interromper relações que já têm peso no comércio exterior.
Governo defende política industrial mais robusta
Para o ministro, o Brasil não pode abrir mão de uma política industrial com instrumentos de defesa comercial. Ele afirmou que as mudanças no comércio internacional tornaram insuficientes medidas tradicionais, como ações antidumping, usadas para combater importações vendidas abaixo de condições consideradas desleais.
A defesa do governo é que a indústria nacional precisa de mecanismos capazes de responder a barreiras externas e à concorrência internacional. Isso não significa apenas proteger empresas, mas tentar preservar capacidade produtiva, investimentos e empregos em setores expostos à competição estrangeira.
Novos acordos podem reduzir dependência
O ministro disse que o governo espera concluir o acordo com o Canadá e acrescentou que o Japão passou a declarar publicamente interesse em um acordo de livre comércio com o Brasil. Acordos de livre comércio reduzem tarifas e outras restrições entre os países, facilitando exportações e importações.
A ampliação da rede de parceiros pode dar às empresas brasileiras mais alternativas para vender seus produtos. Também pode aumentar a concorrência no mercado interno, o que tende a beneficiar consumidores em alguns segmentos, mas eleva a pressão sobre fabricantes nacionais menos preparados para disputar com produtos importados.
Saldo comercial e próximos passos para o Brasil
Apesar das dificuldades, Márcio Elias Rosa afirmou que há motivos para manter a esperança no crescimento. O Brasil acumulava cerca de US$ 55 bilhões de saldo comercial até o fim de agosto e, na avaliação do ministro, pode encerrar o ano acima de US$ 90 bilhões. O saldo comercial é a diferença entre exportações e importações; quando positivo, indica que o país vendeu mais ao exterior do que comprou.
O desafio será transformar esse resultado em maior segurança para a economia, sem depender excessivamente de poucos parceiros. Para quem trabalha ou consome, o desfecho das negociações pode influenciar empregos industriais, disponibilidade de produtos e preços. Para quem investe, a evolução das tarifas, dos novos acordos e da política industrial será relevante para avaliar setores mais expostos ao comércio exterior.
Impacto para a sociedade
A disputa comercial pode afetar empresas brasileiras que exportam para os Estados Unidos, com reflexos sobre produção, empregos e preços. A busca por novos acordos também pode ampliar o acesso a mercados e influenciar a oferta e o custo de produtos no Brasil.
