As ações da Minerva (BEEF3) recuaram quase 10% nesta quinta-feira (13), entre as maiores quedas do Ibovespa, após uma sequência de notícias negativas para a companhia. A divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026 mostrou lucro menor, consumo elevado de caixa e aumento da dívida, enquanto o Bank of America reduziu o preço-alvo dos papéis.
Lucro caiu apesar do avanço da receita
A receita líquida da Minerva cresceu 1,3% na comparação anual, para R$ 14,1 bilhões no segundo trimestre. O avanço, porém, não foi suficiente para compensar o aumento dos custos, principalmente com a compra de gado.
O preço do boi nos países em que a empresa atua subiu, em média, 27% em relação ao mesmo período de 2025. Com a matéria-prima mais cara, a margem bruta — parcela da receita que sobra depois dos custos básicos de produção — caiu de 17,6% para 16,6%.
O efeito apareceu no resultado final: o lucro líquido somou R$ 196,9 milhões, uma queda de 57% na comparação anual. Isso significa que a empresa faturou um pouco mais, mas reteve menos dinheiro depois de pagar os custos de operação.
Estoque recorde consumiu R$ 1,1 bilhão
O principal ponto de preocupação para os analistas foi o fluxo de caixa livre, que ficou negativo em R$ 611,4 milhões no trimestre. Esse indicador mostra quanto dinheiro sobra para a empresa depois das operações e dos investimentos necessários para manter o negócio.
A Minerva atribuiu o resultado ao consumo de R$ 1,1 bilhão em capital de giro, dinheiro aplicado no funcionamento cotidiano da empresa. O desembolso foi puxado pela formação de estoques em nível recorde, com a expectativa de atender à demanda de exportações para China e Estados Unidos no segundo semestre.
A companhia também registrou aumento no prazo para receber de clientes e redução dos adiantamentos recebidos. A expectativa é vender os estoques e recuperar parte do caixa nos próximos meses, mas a saída imediata de recursos pressionou a percepção dos investidores.
Dívida maior amplia o efeito dos juros
Com o caixa consumido e mais recursos comprometidos no capital de giro, a dívida líquida subiu para R$ 14,36 bilhões. A relação entre dívida líquida e Ebitda, medida usada para avaliar o peso da dívida sobre a geração operacional, ficou entre 2,9 e 3 vezes, conforme as métricas consideradas pelos analistas.
As despesas financeiras líquidas somaram R$ 756,8 milhões no segundo trimestre. O valor foi afetado tanto pela variação cambial quanto pelos juros, reduzindo a parcela do resultado operacional que poderia chegar ao lucro.
BofA cortou preço-alvo após o balanço
BTG Pactual e XP avaliaram que o desempenho operacional ficou sólido e dentro do esperado, mas destacaram a ausência de um fator positivo capaz de sustentar uma alta das ações no curto prazo. Nesse cenário, o corte feito pelo Bank of America aumentou a pressão sobre os papéis.
O banco reduziu o preço-alvo da Minerva de R$ 6 para R$ 5,50. A revisão refletiu estimativas menores para o lucro por ação nos próximos anos, diante do custo dos juros, dos riscos relacionados à meta de capital de giro e da fraqueza das margens internacionais.
Após a divulgação do corte, BEEF3 chegou a cair 7,90%, para R$ 3,03. No fim da tarde, recuava 8,51%, a R$ 3,01, enquanto o Ibovespa baixava 0,28%, aos 167.029,75 pontos.
O que acompanhar nos próximos meses
O novo preço-alvo do BofA ainda representa potencial de valorização superior a 67% em relação à cotação de R$ 3,01, mas essa diferença não elimina os riscos apontados no balanço. O mercado deverá observar se a Minerva consegue transformar os estoques em vendas, recuperar o caixa e estabilizar as margens.
Para quem investe, os próximos resultados serão importantes para verificar a evolução da dívida, do capital de giro e das despesas financeiras. A reação desta quinta-feira mostra que, mesmo com receita crescendo, lucro menor e caixa negativo podem pesar mais sobre a ação do que a avaliação de que a operação está dentro do esperado.
