O Mercado Livre captou US$ 1 bilhão no mercado internacional com uma emissão de títulos de dívida que vence em 2036. A operação, com prazo de dez anos e juros de 5,850% ao ano, amplia os recursos disponíveis para a companhia financiar suas operações e reforçar o caixa.
Como funciona a emissão de dez anos
Os papéis são títulos “sênior” e não garantidos. Na prática, isso significa que representam uma dívida prioritária da empresa, mas não contam com um ativo específico oferecido como garantia aos investidores. O Mercado Livre terá de pagar os juros contratados e devolver o principal no vencimento, em 2036.
Os recursos poderão ser usados de forma geral na gestão financeira da companhia, incluindo o financiamento das atividades operacionais. A emissão foi registrada na SEC, órgão que supervisiona o mercado de capitais dos Estados Unidos, o que submete a operação às regras de divulgação aplicáveis naquele mercado.
Demanda de investidores ajudou a viabilizar captação
A oferta recebeu procura de mais de cem investidores institucionais. Esse grupo reúne, em geral, fundos, bancos e outras instituições que compram grandes volumes de títulos e avaliam a capacidade de pagamento do emissor antes de participar da operação.
Uma demanda ampla tende a dar mais segurança à empresa na definição das condições da captação. Também sinaliza que existe interesse do mercado em assumir o risco de crédito do Mercado Livre, em troca da remuneração oferecida pelos papéis com vencimento em dez anos.
Empresa manteve prêmio da emissão anterior
Martín de los Santos, diretor financeiro do Mercado Livre, afirmou que a empresa conseguiu precificar a nova emissão com o mesmo spread da operação anterior, que tinha prazo de sete anos. Spread é o prêmio pago pelo emissor acima de uma taxa de referência para compensar o risco de emprestar dinheiro à companhia.
Manter esse prêmio mesmo alongando o prazo da dívida é relevante porque, em condições normais, financiamentos mais longos podem exigir uma remuneração maior. Para o executivo, o resultado reflete a confiança dos investidores na execução e no modelo de negócios do Mercado Livre.
Classificação de grau de investimento reduz barreiras
O Mercado Livre possui classificação de grau de investimento nas três principais agências de risco: BBB- pela S&P e pela Fitch e Baa3 pela Moody’s. Essas notas indicam que a empresa é considerada um emissor com capacidade adequada de honrar suas obrigações, embora ainda esteja sujeita aos riscos do ambiente econômico e de seus negócios.
Uma boa avaliação de crédito pode ampliar o conjunto de investidores habilitados a comprar os títulos e ajudar a companhia a acessar o mercado internacional em condições mais competitivas. A nova operação, segundo o diretor financeiro, representa mais um passo na consolidação do Mercado Livre como emissor de grau de investimento.
O que a captação muda para a empresa e para os investidores
Para o Mercado Livre, a emissão aumenta a liquidez disponível sem depender apenas da geração de caixa das operações ou de novas emissões de ações. Em contrapartida, a companhia assume pagamentos de juros de 5,850% ao ano e uma obrigação de principal que será liquidada em 2036.
A transação foi coordenada por BofA Securities, Citigroup, Goldman Sachs, J.P. Morgan e Morgan Stanley, com participação de Allen & Company e Santander na distribuição. Para quem acompanha a empresa, os principais pontos a observar são o uso dos recursos, a evolução do endividamento e a capacidade de o negócio gerar caixa suficiente para sustentar os compromissos ao longo do prazo.
