O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, propôs que o banco alcance uma dimensão equivalente a 2% do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos anos e pediu um pacto entre empresários para promover o Brasil entre investidores estrangeiros. A ideia marca uma defesa de maior atuação do banco público, mas em parceria com o setor privado, sem retornar ao porte que a instituição teve no passado.
Mercadante rejeita volta ao BNDES de 4% a 5% do PIB
Durante o painel “Investimento e Crescimento: Papel do Financiamento Público e Privado”, realizado no Macro Day, do BTG Pactual, Mercadante afirmou que 2% do PIB seria um tamanho adequado para o BNDES e que o banco não deveria ficar abaixo desse nível.
O presidente lembrou que, em períodos anteriores, a instituição chegou a representar entre 4% e 5% do PIB. A proposta atual, portanto, não é recuperar aquela escala, mas estabelecer um patamar intermediário para ampliar a capacidade de financiar projetos que enfrentam dificuldades para obter recursos privados.
Banco deve assumir riscos que o mercado evita
Na visão de Mercadante, o BNDES deve atuar como complemento ao sistema financeiro privado, principalmente em operações de crédito de longo prazo. Entre as áreas citadas estão inovação, transição energética e reconstrução de regiões atingidas por desastres climáticos.
Esse tipo de financiamento costuma exigir prazos mais longos e envolver riscos que podem reduzir o interesse dos bancos comerciais. A atuação pública, nesse caso, busca viabilizar projetos que poderiam não sair do papel ou teriam custo elevado sem a participação do BNDES. A proposta não significa que o banco concentraria sozinho todo o financiamento, mas que ampliaria sua capacidade de indução em conjunto com o setor privado.
Juros altos são apontados como principal obstáculo
Mercadante resumiu sua avaliação sobre a economia brasileira dizendo que “é fácil resolver o Brasil” com a redução dos juros. Ele defendeu que a prioridade nacional seja baixar o custo do dinheiro de forma sustentável e duradoura, com participação do mercado no diálogo com os Poderes Legislativo e Judiciário e na cobrança de governadores e prefeitos.
Juros elevados encarecem empréstimos para famílias e empresas, reduzem o consumo e tornam menos projetos de investimento rentáveis. Também aumentam o peso das dívidas já contratadas, o que, segundo Mercadante, contribuiu para o crescimento das recuperações judiciais e extrajudiciais. Ele citou Braskem e Raízen como companhias para as quais o BNDES busca construir soluções de forma reservada.
Desembolsos e aprovações cresceram durante a gestão
O presidente informou que o BNDES promoveu R$ 366 bilhões em indução ao crédito em 2025, equivalente, em sua apresentação, a cerca de R$ 1 bilhão por dia. Nos primeiros seis meses de 2026, foram R$ 198 bilhões.
De acordo com os números apresentados, as consultas ao banco cresceram aproximadamente 40% durante sua gestão. As aprovações avançaram 70%, as contratações aumentaram 75% e os desembolsos subiram 35%. Mercadante também afirmou que a instituição teve o segundo melhor resultado de sua história, lucro recorrente recorde e inadimplência de 0,05%.
Pacto busca melhorar a percepção sobre o Brasil
Mercadante pediu aos empresários presentes no evento um “pacto para falar bem do Brasil” e apresentar aos investidores estrangeiros a agenda de futuro do país. O pedido conecta a expansão do BNDES à tentativa de atrair capital para projetos de infraestrutura, inovação e transição energética.
O dirigente também afirmou que bancos públicos de desenvolvimento não são uma particularidade brasileira. Segundo ele, existem 555 instituições desse tipo em 155 países, com aproximadamente US$ 23 trilhões em ativos.
O que a proposta representa para empresas e investidores
Para as empresas, um BNDES maior poderia ampliar as alternativas de financiamento em setores que exigem investimento elevado e retorno demorado. Para as famílias, porém, não há efeito imediato sobre parcelas ou juros: isso dependeria da execução dos programas e de uma queda mais ampla e duradoura das taxas no sistema financeiro.
Mercadante também destacou avanços nas contas externas. Ele afirmou que o Brasil deverá alcançar US$ 290 bilhões em saldo comercial e encerrar o ano com reservas em torno de US$ 330 bilhões, defendendo que a hiperinflação e a vulnerabilidade cambial foram enfrentadas. Na avaliação dele, o desafio restante são os juros, tema que continuará determinando o custo do crédito e o ritmo dos investimentos.
Impacto para a sociedade
A proposta pode afetar trabalhadores, consumidores e empresas ao ampliar a oferta de financiamento para investimentos, inovação, energia e reconstrução após desastres. No entanto, a mudança não altera imediatamente juros ou preços: seus efeitos dependeriam da execução do BNDES e da redução sustentável do custo do crédito.
