O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou o acesso aos dados da investigação que envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, autoridades, policiais e funcionários do Banco Central. A decisão, tomada em 10 de setembro, retirou o sigilo da Petição 15.556 e de outros 14 procedimentos relacionados ao Banco Master, colocando à disposição do público 25,3 gigabytes de documentos, áudios e vídeos antes da sessão extraordinária do STF marcada para 15 de setembro.
O que foi aberto pelo Supremo
O material reúne 3.285 arquivos distribuídos em 15 procedimentos. A liberação ocorreu a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, em meio à discussão sobre a inclusão do ministro Alexandre de Moraes nas investigações relacionadas a Vorcaro.
Os documentos podem ajudar a esclarecer as diferentes frentes do caso: as operações entre o Banco Master e o BRB, a atuação de pessoas próximas ao ex-banqueiro, suspeitas envolvendo servidores do Banco Central e uma suposta estratégia de comunicação para defender a instituição e contestar medidas do regulador.
Investigação central mira operações com o BRB
O Inquérito 5.026 é o núcleo da Operação Compliance Zero. A apuração começou a partir de informações encaminhadas pelo Banco Central sobre possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo o Master, o BRB, a empresa Tirreno e seus gestores.
Uma das principais linhas envolve a transferência de carteiras de crédito do Master para o BRB, estimada em cerca de R$ 12 bilhões. A suspeita é que parte desses créditos não tivesse lastro, ou seja, não correspondesse a recebíveis capazes de sustentar os valores negociados. Também é investigada a possibilidade de que as operações tenham sido montadas para justificar recursos transferidos anteriormente pelo BRB ao Master.
Documentos detalham suspeitas de fraude e influência
A Petição 15.478 reúne o pedido da Polícia Federal para quebrar os sigilos bancário, fiscal e financeiro de investigados e empresas. Nesse procedimento, a PF descreve uma hipótese de uso de CCBs, títulos que representam uma promessa de pagamento, falsas ou sem lastro em operações que chegaram a aproximadamente R$ 17 bilhões.
Já o Inquérito 5.035 trata do chamado “Projeto DV”. Segundo a investigação, a iniciativa teria organizado uma ofensiva de comunicação para defender Daniel Vorcaro e questionar a atuação do Banco Central na liquidação do Master. Os autos mencionam recrutamento de influenciadores, produção e impulsionamento de conteúdos.
Relação com servidores do Banco Central
A Petição 15.504 concentra a apuração sobre a relação de Vorcaro com servidores do Banco Central, especialmente Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana. A PF analisa, em tese, suspeitas de corrupção ativa e passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Outro conjunto relevante é a Petição 15.198, que reúne decisões sobre buscas e apreensões contra Vorcaro, familiares, empresários e outros investigados. O procedimento também inclui documentos sobre fundos e operações financeiras, além de decisões relativas à perícia de cerca de 100 dispositivos eletrônicos apreendidos na operação.
O que acontece agora no STF
A retirada do sigilo permite o exame público de uma investigação que envolve instituições financeiras, o regulador do sistema e agentes públicos. A abertura dos arquivos, porém, não equivale à confirmação das suspeitas: os documentos registram hipóteses investigativas, diligências e decisões judiciais ainda sujeitas à análise.
O próximo marco é a sessão extraordinária de 15 de setembro, quando o plenário deverá analisar questões relacionadas à participação de Alexandre de Moraes no caso. Para quem acompanha o mercado, a divulgação amplia a transparência sobre a crise do Banco Master e pode esclarecer como foram estruturadas as operações e quais responsabilidades estão sendo apuradas.
