As ações da Melnick (MELK3) subiam cerca de 3% na tarde desta quinta-feira (13), negociadas próximas de R$ 2,79, após a divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026. O movimento ocorre apesar da queda anual do lucro e da continuidade do consumo de caixa, em meio à avaliação de que a incorporadora entregou alguns indicadores operacionais acima das projeções.
Lucro recua, mas margem supera as estimativas
Entre abril e junho, a companhia registrou lucro líquido de R$ 34 milhões, queda de 13% em relação ao mesmo trimestre de 2025. O resultado ficou em linha com a estimativa do BTG Pactual e acima da previsão de R$ 29 milhões do Itaú BBA.
A receita líquida somou R$ 271 milhões, recuo de 20% em um ano. O valor ficou 2% abaixo da projeção do BTG, mas 8% acima da estimativa do BBA. Já a margem bruta, indicador que mostra quanto sobra da receita após os custos diretamente ligados aos projetos, alcançou 31%. A taxa avançou 110 pontos-base em 12 meses e superou as previsões dos dois bancos.
O lucro por ação (LPA) ficou em R$ 0,17, queda de 12% na comparação anual, mas 27% acima do esperado pelo BTG. O retorno sobre o patrimônio líquido, conhecido como ROE e usado para medir a rentabilidade do capital dos acionistas, foi de 13%, contra expectativa de 10% do banco.
Consumo de caixa mantém pressão sobre a companhia
O principal ponto de atenção do balanço foi o consumo de caixa de R$ 22 milhões no trimestre. De acordo com a avaliação do BTG, a saída de recursos esteve relacionada principalmente à expansão das operações, incluindo a aquisição de terrenos e o aumento dos recebíveis.
Com isso, a Melnick encerrou junho com dívida líquida de aproximadamente R$ 535 milhões. A dívida líquida corresponde aos compromissos financeiros menos o dinheiro disponível em caixa. A relação entre essa dívida e o patrimônio líquido ficou em 44%, medida que indica o nível de alavancagem financeira da empresa.
Analistas divergem no tom, mas mantêm cautela
O BTG classificou os resultados como ligeiramente acima das estimativas, principalmente pela margem bruta, pelo lucro por ação e pelo ROE. Ainda assim, manteve recomendação neutra para MELK3, citando a geração de fluxo de caixa negativa e as perspectivas pressionadas para o mercado imobiliário de média e alta renda.
O banco estabeleceu preço-alvo de R$ 4,80 para a ação. O valor representa potencial de valorização de 72% em relação à cotação próxima de R$ 2,79 observada na tarde desta quinta-feira, mas não elimina os riscos apontados na análise.
O Itaú BBA adotou uma leitura mais negativa e classificou o trimestre como fraco. Para o banco, a queda do lucro e a manutenção da queima de caixa compensaram os números melhores que o esperado em receita e margem. A instituição manteve recomendação equivalente a neutra e preço-alvo de R$ 4.
O que explica a alta de MELK3 e os próximos riscos
A alta das ações sugere que, no curto prazo, investidores deram mais peso aos indicadores que superaram as projeções — especialmente margem bruta, lucro por ação e rentabilidade — do que à queda anual do lucro. A baixa cotação também pode ampliar a reação do papel a pequenas mudanças nas expectativas para os resultados futuros.
Por outro lado, a continuidade do consumo de caixa e a dívida elevada mantêm a necessidade de acompanhar a execução dos projetos e a transformação de recebíveis em dinheiro. O ambiente para incorporadoras de média e alta renda segue desafiador, e os próximos balanços deverão mostrar se a melhora das margens será suficiente para reverter a pressão sobre a geração de caixa.
Para quem acompanha MELK3, os principais pontos a observar são a evolução da dívida líquida, a recuperação do fluxo de caixa e a capacidade de sustentar a margem bruta. O avanço de cerca de 3% no pregão mostra a reação inicial ao balanço, mas não substitui a análise da trajetória operacional da companhia.
