Forças de segurança do Marrocos impediram neste sábado (15) uma nova tentativa de entrada em massa de migrantes na Espanha, nas proximidades de Ceuta, enclave espanhol no norte da África. A operação mobilizou milhares de agentes, helicóptero, barcos e armas não letais, e ocorreu após novos apelos nas redes sociais para uma travessia coletiva da fronteira.
Operação interceptou 111 pessoas perto de Ceuta
As interceptações ocorreram por volta das 6h, no horário local, em uma área montanhosa próxima de Fnideq, a cerca de três quilômetros da passagem de El Tarajal. Ao todo, 111 pessoas foram interceptadas e 61 acabaram detidas sob acusação de incitação à migração irregular.
As forças marroquinas usaram gás lacrimogêneo para dispersar os grupos e cercaram os migrantes antes de levá-los, à força, para ônibus. Parte dessas pessoas foi transportada para outras regiões do país, incluindo Uarzazate, no sul do Marrocos. Um helicóptero acompanhou a operação, enquanto a Marinha Real posicionou seis barcos semirrígidos na região costeira.
Jornalistas foram retirados da área durante a ação
Além da mobilização policial e militar, as autoridades marroquinas restringiram o acesso de jornalistas a Fnideq durante a operação. Correspondentes foram instruídos a deixar a cidade imediatamente, sem que fosse apresentada uma justificativa detalhada.
O principal representante local do Ministério do Interior, Youssef Hajji, afirmou que estava “cumprindo ordens”. Ele também advertiu que credenciais e equipamentos poderiam ser confiscados caso os repórteres não obedecessem à determinação.
Espanha mantém reforço na fronteira e em Melilla
Do lado espanhol, a fronteira de El Tarajal permanece sob um dispositivo excepcional de segurança, com reforço da Polícia Nacional, da Guarda Civil e de militares. A cidade de Melilla, outro enclave espanhol em território africano, não registrou incidentes nas últimas horas, mas também ampliou a presença policial.
O governo espanhol afirmou que a movimentação deste sábado foi menor do que o pico registrado no fim de julho. Nas últimas 24 horas, 322 migrantes receberam atendimento médico em Ceuta; 211 foram levados ao Hospital Universitário e 32 continuavam internados.
Ceuta ainda lida com os efeitos da onda migratória
No fim de julho, cerca de 80 mil pessoas entraram irregularmente em Ceuta a partir do Marrocos. A maior parte retornou posteriormente, mas milhares ainda permanecem na cidade, pressionando os serviços de saúde, acolhimento e segurança.
Para reduzir a sobrecarga, o Ministério espanhol de Inclusão, Segurança Social e Migrações prepara a abertura de centros temporários de acolhimento. A previsão é que as unidades comecem a funcionar na próxima semana, com capacidade próxima de mil vagas.
O que pode acontecer nos próximos dias
A nova tentativa mostra que a tensão na fronteira continua mesmo após a redução do fluxo em relação ao episódio de julho. A vigilância deve permanecer reforçada em Ceuta, Melilla e nas áreas marroquinas próximas, especialmente diante da possibilidade de novos chamados para travessias organizadas pelas redes sociais.
Para quem investe, trabalha ou consome no Brasil, o episódio não produz, pelo material disponível, efeito direto sobre preços, juros, emprego ou ativos brasileiros. A consequência imediata está concentrada na administração dos serviços públicos espanhóis, no atendimento aos migrantes e na relação entre Espanha e Marrocos. O próximo passo será acompanhar a abertura dos centros temporários e a resposta das autoridades a eventuais novas concentrações.
