Pablo Marçal registrou neste sábado (15) sua candidatura à Presidência da República mesmo estando inelegível até 2032 e declarou patrimônio de R$ 4,7 bilhões à Justiça Eleitoral. O pedido foi protocolado pelo PRTB e ainda será analisado, o que significa que o registro não está definitivamente aprovado e pode ser contestado ou rejeitado durante o processo eleitoral.

O que muda com o registro feito pelo PRTB

O protocolo formaliza a tentativa de Marçal de disputar a eleição, mas não elimina os efeitos da condenação que o impede, neste momento, de concorrer. A inelegibilidade foi mantida pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo em 5 de agosto, quando os desembargadores rejeitaram, por unanimidade, embargos de declaração apresentados no processo.

A condenação aplica a Lei da Ficha Limpa e prevê oito anos de impedimento eleitoral, com término previsto para 2032. O caso envolve o chamado “campeonato de cortes”, estratégia que estimulou a produção e a disseminação de vídeos de campanha nas redes sociais. Além da inelegibilidade, a decisão determinou multa de R$ 420 mil.

Por que Marçal conseguiu apresentar a candidatura

A inscrição foi possível após uma decisão liminar autorizar Marçal a deixar o União Brasil e retornar ao PRTB. A decisão provisória reconheceu que ele havia preenchido e assinado, em 4 de abril de 2026, uma ficha de filiação ao partido, posteriormente deferida pela direção nacional.

Na prática, a liminar permite que a legenda apresente a chapa e que a Justiça Eleitoral examine o pedido de registro. O entendimento, porém, pode ser revisto por instâncias superiores. Ainda cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral contra a decisão que manteve a condenação.

Patrimônio declarado chega a R$ 4,7 bilhões

Ao apresentar os dados ao DivulgaCand, sistema do Tribunal Superior Eleitoral que reúne informações das candidaturas, Marçal informou patrimônio de R$ 4,7 bilhões. A declaração tem caráter eleitoral e serve para dar transparência aos bens e direitos informados pelo candidato, mas não representa, por si só, uma auditoria definitiva sobre a origem ou o valor de cada ativo.

O tamanho do patrimônio declarado coloca a informação entre os principais pontos econômicos da candidatura. A Justiça Eleitoral pode analisar a documentação apresentada e verificar a compatibilidade dos dados com as exigências legais. O patrimônio do candidato a vice, Leonardo Avalanche, foi declarado em R$ 495 milhões.

Quem completa a chapa e quando começa a campanha

Leonardo Avalanche, presidente nacional do PRTB, foi confirmado como candidato a vice-presidente. Ele havia sido escolhido inicialmente em convenção para liderar a chapa, mas a alteração ocorreu depois da liminar que reconheceu a filiação de Marçal ao partido.

De acordo com o PRTB, a chapa poderá iniciar a propaganda eleitoral a partir deste domingo (16), inclusive pela internet. A autorização para fazer campanha, no entanto, não equivale à confirmação definitiva da candidatura: o registro continuará sujeito à análise e às decisões da Justiça Eleitoral.

O que investidores e eleitores devem acompanhar agora

O próximo passo é o julgamento do pedido de registro e dos recursos relacionados à inelegibilidade. Até lá, a candidatura pode permanecer em disputa jurídica, criando incerteza sobre a validade da chapa e sobre a possibilidade de Marçal aparecer nas etapas seguintes do processo eleitoral.

Para quem acompanha o mercado, o episódio tem efeito principalmente político e institucional, e não representa, por si só, uma mudança em juros, inflação, câmbio ou regras de investimento. O ponto central é acompanhar as decisões judiciais, a campanha e eventuais consequências para a composição da corrida presidencial. Para os eleitores, a diferença prática é que o nome de Marçal poderá iniciar a campanha enquanto sua situação eleitoral ainda não está definitivamente resolvida.