A MARA Holdings, maior mineradora de bitcoin listada em bolsa e quarta maior detentora da criptomoeda em caixa no mundo, divulgou na manhã desta sexta-feira (7) um prejuízo líquido de US$ 611,3 milhões no segundo trimestre de 2026. A receita caiu 27% na comparação anual, para US$ 174,9 milhões, e as ações da companhia recuavam nas primeiras horas do pregão. O resultado expõe como a queda do preço do bitcoin segue pressionando o setor de mineração.

Os números do 2T26

O balanço veio pressionado pela receita menor e por custos que não caíram na mesma velocidade. O Ebitda ajustado — uma medida de geração de caixa — ficou negativo em US$ 360,9 milhões, segundo a apresentação oficial da empresa. A MARA também vendeu 2.213 bitcoins no trimestre, depois de já ter vendido 20.880 no primeiro trimestre do ano.

No mercado acionário, os papéis caíam nas primeiras horas do pregão desta sexta-feira, marcando a reação negativa dos investidores a um balanço que veio abaixo do esperado em receita e rentabilidade.

Produção de bitcoin avança, mas receita não acompanha

O carro-chefe da MARA é minerar bitcoin e vender a maior parte do que produz para cobrir custos. No trimestre, a produção subiu 3%, para 2.422 unidades. O hashrate energizado — a capacidade computacional usada na mineração — cresceu 22%, para 70,3 EH/s, ante 57,4 EH/s um ano antes.

A empresa também reduziu o custo por petahash por dia em 4%, de US$ 28,70 para US$ 27,70, e o número de blocos minerados subiu 1%, para 700. A melhora operacional, porém, não foi suficiente para compensar o preço menor do bitcoin no período.

Por que a queda do bitcoin derrubou a receita

O mecanismo é direto: mineradoras vendem quase tudo o que produzem para pagar energia, equipamentos e salários. Quando o preço do bitcoin cai, a receita cai junto, a menos que a produção cresça muito ou os custos despenguem.

Na MARA, o preço médio por bitcoin minerado caiu de US$ 98.975 no segundo trimestre de 2025 para US$ 71.325 no mesmo intervalo de 2026. Com uma queda de cerca de 28% no preço e um custo por capacidade reduzido em apenas 4%, a receita total encolheu 27% na comparação anual.

Estratégia de IA e energia: US$ 600 milhões em crédito

Depois do fechamento do trimestre, a MARA ofereceu 18.750 bitcoins como garantia em operações de crédito. São duas linhas estruturadas que devem adicionar US$ 600 milhões em capacidade de financiamento à empresa.

Os recursos podem ser usados para fins corporativos gerais, incluindo a planejada aquisição da Long Ridge, empresa de energia dos Estados Unidos que opera uma usina a gás natural em Hannibal, Ohio. O movimento faz parte da estratégia de usar a infraestrutura de energia da companhia para entrar no setor de inteligência artificial (IA), uma alternativa de receita que várias mineradoras vêm adotando.

O que acompanhar a partir de agora

Para quem acompanha o setor, o ponto central é saber se a MARA conseguirá transformar sua capacidade de energia em uma fonte de receita mais estável do que a mineração de bitcoin. A aquisição da Long Ridge e o crédito com garantia em BTC mostram que a empresa está disposta a se alavancar para financiar essa transição.

Nas próximas semanas, o mercado deve seguir atento ao desenrolar da aquisição, ao uso dos bitcoins em caixa e ao preço da criptomoeda. Qualquer variação forte no bitcoin tende a aparecer no balanço seguinte — para o bem ou para o mal.