As ações do Magazine Luiza (MGLU3) avançavam 10,11% nesta quarta-feira (30), cotadas a R$ 7,30 por volta das 14h20, e estavam entre os destaques positivos do Ibovespa. O movimento acompanhava o alívio na curva de juros futuros, influenciada pelos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries. A reação importa porque empresas varejistas endividadas e dependentes de financiamento tendem a ser mais sensíveis às mudanças nas taxas.

Por que a queda dos juros futuros favorece o Magalu

Os juros futuros refletem as taxas que o mercado espera para os próximos períodos e ajudam a determinar o custo de empréstimos e o retorno exigido para investir em ações. Quando essas taxas recuam, o custo de capital pode diminuir e os ganhos esperados de uma empresa no futuro passam a valer mais nas avaliações dos investidores. Isso pode aumentar a procura por ações como as do Magalu, embora não garanta melhora imediata nos resultados da companhia.

O movimento não significa que a Selic tenha sido reduzida nesta quarta. A taxa básica é definida pelo Banco Central, enquanto os juros futuros oscilam conforme as expectativas dos investidores. A influência dos Treasuries também mostra como as condições financeiras nos Estados Unidos podem afetar os mercados brasileiros: mudanças nos rendimentos dos títulos americanos alteram as referências de retorno e risco usadas por investidores.

Varejista está entre as mais sensíveis às taxas

Em análise de sensibilidade, o JP Morgan apontou o Magazine Luiza e o Assaí entre as varejistas mais alavancadas de sua cobertura. Para cada variação de 100 pontos-base nos juros em relação ao cenário-base, o banco estima uma mudança de 10% no lucro por ação do Magalu em 2028. No Assaí, a alteração estimada é de 5%; para as demais varejistas, a média fica perto de 2%.

Os números são projeções, não resultados garantidos. Os modelos do banco já consideram uma Selic média de 11,25% em 2028 e uma taxa de 10,5% no fim daquele ano. Assim, uma mudança nas expectativas para os juros pode alterar as contas dos analistas e o preço que investidores aceitam pagar pelas ações, sem que isso represente uma mudança equivalente no desempenho operacional da empresa.

Projeções para o setor seguem pressionadas

Apesar do avanço das ações, o cenário para o varejo continua desafiador. O JP Morgan reduziu suas estimativas de lucro líquido para as empresas do setor em cerca de 2%, em média, e em 5% considerando a mediana das projeções. As revisões negativas, iniciadas em junho, refletem a desaceleração do consumo entre clientes pressionados financeiramente, além da concorrência de empresas estrangeiras e de promoções mais intensas.

Para o Magalu, porém, o banco revisou algumas expectativas para cima. A análise considera possíveis ganhos de participação de mercado relacionados à recuperação judicial da Casas Bahia e à parceria recente com o Mercado Livre. Com esses fatores, a projeção é de crescimento de vendas de cerca de 10% em 2027. Ainda assim, a avaliação do banco para a ação é “Underweight”, classificação que indica expectativa de desempenho inferior ao de referência usado na análise.

Prejuízo no trimestre mantém atenção sobre a empresa

No segundo trimestre de 2026, o Magazine Luiza teve prejuízo líquido de R$ 72,5 milhões, ante prejuízo de R$ 24,4 milhões no mesmo período de 2025. O prejuízo ajustado foi de R$ 50,4 milhões, comparado a lucro ajustado de R$ 1,8 milhão um ano antes. Foi o segundo trimestre de prejuízo em 2026, depois de a companhia ter registrado lucros em 2025.

O EBITDA, indicador do desempenho operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, caiu 1,7% na comparação anual, para R$ 675,3 milhões. A cifra ajustada recuou 2,5%, a R$ 708,8 milhões. Para quem acompanha a ação, a alta desta quarta é uma reação às taxas e às expectativas, enquanto os próximos resultados e a evolução do consumo ajudarão a mostrar se as projeções de recuperação se confirmam.