O Ministério de Minas e Energia propôs reduzir em R$ 967,1 milhões o orçamento do Luz para Todos em 2027, uma queda de cerca de 38% em relação aos R$ 2,57 bilhões previstos para 2026. A verba proposta, de R$ 1,61 bilhão, financiaria a chegada da eletricidade a 67,8 mil novas famílias, em um programa voltado a populações rurais e de regiões remotas.

Verba menor e previsão de atendimento

A redução ocorre em um momento em que o programa tem como objetivo chegar ao fim de 2026 com 500 mil famílias atendidas. Em 2025, foram destinados R$ 4,3 bilhões para contemplar 97,1 mil famílias. Para 2027, a previsão de novas ligações é menor: 67,8 mil, embora a comparação entre os anos não indique, por si só, quantas famílias ficarão sem atendimento.

Os valores propostos para o ano que vem somam cerca de R$ 1,61 bilhão: R$ 850,5 milhões seriam direcionados a áreas remotas da Amazônia Legal e R$ 757,2 milhões às demais regiões de universalização da energia rural. A proposta abrange 15 estados, entre eles Acre, Amazonas, Pará, Bahia, Maranhão e Piauí.

Por que o orçamento pode cair

As estimativas de 2026 do boletim InfoTarifas, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), apontam que a contenção busca reduzir o impacto dos subsídios e, com isso, a pressão sobre a conta de luz dos consumidores atendidos pelas distribuidoras. Subsídios ajudam a custear políticas do setor elétrico, mas também podem representar custos que pesam sobre as tarifas.

Outro fator citado é a adequação do calendário de desembolsos ao ritmo das obras mais complexas das distribuidoras. Isso significa ajustar quando os recursos são liberados às etapas de implantação dos projetos. A justificativa não elimina, porém, a possibilidade de que menos verba disponível altere o planejamento ou o ritmo de expansão em algumas localidades.

Áreas isoladas enfrentam obras mais difíceis

O efeito potencial do corte tende a ser mais relevante em áreas rurais e de acesso complicado, onde levar a rede convencional exige soluções diferentes das usadas em regiões mais povoadas. No Norte, grandes distâncias, baixa densidade populacional e acesso restrito podem elevar o tempo e o custo de implantação.

Quando a extensão da rede não é viável, o programa pode recorrer a alternativas, como sistemas isolados de geração solar. Pará, Amazonas e Acre estão entre os estados que enfrentam dificuldades desse tipo. A redução de recursos pode exigir mudanças no planejamento das obras, mas não há indicação de quais projetos seriam alterados.

Consulta terminou e proposta ainda está em discussão

A diretriz foi submetida a consulta pública por 15 dias, com prazo encerrado em 28 de setembro. Governos estaduais, empresas do setor elétrico e comunidades atendidas puderam apresentar sugestões ou contestações. O período curto deixou uma janela limitada para avaliar uma proposta que pode afetar a expansão do serviço em diferentes regiões.

O corte para 2027 vem após outra proposta de redução, apresentada em consulta pública em dezembro de 2025, que previa diminuir em 33% os recursos do exercício seguinte. Para famílias que ainda não têm acesso à eletricidade, o próximo passo é acompanhar a definição do orçamento e como ele será distribuído. Para os consumidores em geral, a justificativa do governo é conter subsídios e aliviar a pressão sobre as contas, enquanto a execução das obras dependerá dos valores e do cronograma que forem definidos.

Impacto para a sociedade

Se a proposta for mantida, o ritmo de expansão do acesso à energia pode ser afetado, sobretudo em áreas rurais e isoladas, onde as obras são mais complexas. Por outro lado, a contenção busca reduzir o impacto dos subsídios e a pressão sobre a conta de luz dos consumidores atendidos pelas distribuidoras.