O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (12) que o governo precisa abandonar a busca por superávit para ampliar os investimentos públicos e atribuiu aos juros o aumento da dívida do país. A declaração, feita em um comício em Curitiba, recoloca no centro do debate a política fiscal — a relação entre arrecadação, gastos e endividamento — em um momento de preocupação de analistas com os déficits recorrentes.
Lula diz que juros são a principal dívida do país
“Para gerar emprego, a economia tem que crescer. E para a economia crescer, o governo tem que investir”, disse o presidente. Em seguida, afirmou ser necessário “parar com essa babaquice de fazer superávit” e acrescentou que a “grande dívida do Brasil” seria a taxa de juros paga pelo governo.
Na declaração, Lula citou um custo de R$ 1,3 trilhão relacionado aos juros e disse que o restante da dívida representaria investimentos. A fala foi dada durante ato com aliados, em uma campanha pela reeleição à Presidência da República nas eleições de outubro.
O que está em jogo na busca por superávit
Superávit primário é o resultado positivo das contas do governo antes do pagamento dos juros da dívida. Quando há déficit, o setor público gasta mais do que arrecada nessa comparação, o que tende a exigir novas emissões de títulos ou o uso de recursos disponíveis para financiar a diferença.
Analistas têm defendido um ajuste fiscal mais forte justamente para reduzir a necessidade de financiamento e melhorar a trajetória da dívida. A lógica é que contas públicas mais equilibradas podem diminuir o risco percebido pelos investidores e abrir espaço para juros menores ao longo do tempo. Lula, porém, sustenta que cortes ou metas de superávit restringem a capacidade de investir e gerar empregos.
Dívida bruta chegou a R$ 10,9 trilhões em julho
A dívida bruta do governo geral alcançou R$ 10,9 trilhões em julho, o equivalente a 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB). A proporção aumentou 10,8 pontos percentuais durante o terceiro mandato de Lula, segundo os dados apresentados no material.
A Selic, taxa básica de juros da economia, está em 14% ao ano. Com juros elevados, o governo paga mais para rolar os títulos que vencem e financiar novas necessidades. Esse efeito pode acelerar o crescimento nominal da dívida mesmo quando o governo tenta controlar outras despesas, embora o resultado também dependa da arrecadação, do crescimento econômico e do comportamento dos gastos.
Presidente volta a criticar o mercado financeiro
As novas declarações ocorrem dois dias depois de Lula criticar o mercado financeiro em entrevista ao SBT. Na ocasião, ele afirmou que a Faria Lima “só chora” e “não conhece a palavra social”, em referência às cobranças por redução de despesas e maior disciplina fiscal.
Investidores e analistas costumam acompanhar a combinação entre metas fiscais, trajetória da dívida e decisões de gasto porque esses fatores influenciam as expectativas de inflação e juros. Quando há dúvida sobre o equilíbrio das contas, pode aumentar a exigência de retorno para comprar títulos públicos, o que dificulta a queda das taxas e encarece o crédito para famílias e empresas.
Petróleo da Margem Equatorial é apontado como fonte de recursos
No mesmo comício, Lula mencionou a descoberta de petróleo na Margem Equatorial e prometeu usar receitas da extração para criar novamente um fundo destinado a investimentos em educação, ciência, tecnologia e saúde.
O presidente afirmou que o país deveria explorar o combustível fóssil antes do fim de sua utilização e direcionar os recursos para essas áreas. Para quem trabalha, consome ou investe, os próximos passos serão a evolução das contas públicas, o custo dos juros e a definição de como eventuais receitas do petróleo poderão ser incorporadas ao orçamento sem ampliar a pressão sobre a dívida.
Impacto para a sociedade
A discussão afeta o brasileiro porque o nível de juros influencia o custo de empréstimos, financiamentos e compras parceladas, além do espaço do governo para investir em serviços públicos. Se a percepção de risco fiscal aumentar, a pressão sobre os juros pode persistir, encarecendo o crédito e dificultando a redução da dívida.
