O presidente do Federal Reserve de Minneapolis, Neel Kashkari, apoiou a decisão unânime da semana passada de elevar os juros do Fed em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano. O respaldo reforça a preocupação dentro do banco central americano de que a inflação continua disseminada, o que pode manter o custo do dinheiro elevado por mais tempo nos Estados Unidos e afetar mercados globais.

Inflação segue alta mesmo fora de energia e alimentos

Em entrevista ao programa “Sunday Morning Futures”, da Fox News, Kashkari afirmou que o avanço dos preços não se limita ao petróleo. Mesmo excluindo energia e alimentos, grupos considerados mais voláteis, a inflação ainda está acima do nível considerado adequado para a economia americana.

O dirigente destacou especialmente a pressão no setor de serviços. A avaliação é relevante porque serviços tendem a responder mais lentamente aos juros do que produtos negociados diretamente no mercado, tornando a desaceleração da inflação mais gradual.

Kashkari mudou de posição entre as reuniões

O apoio à alta da semana passada contrasta com sua postura na reunião anterior. Na ocasião, Kashkari esteve entre os três integrantes que defenderam um aumento dos juros, enquanto a maioria do comitê preferiu manter as taxas inalteradas.

Na reunião mais recente, porém, a decisão foi unânime. A mudança mostra que a preocupação com a inflação ganhou força entre os formuladores de política monetária, depois de o Fed ter optado por elevar a taxa básica em um quarto de ponto.

Petróleo agrava o cenário, mas não explica tudo

Os preços do petróleo dispararam após a intensificação dos confrontos envolvendo Estados Unidos e Irã. Petroleiros foram afundados no Estreito de Ormuz, enquanto a Arábia Saudita fechou seu importante gasoduto Leste-Oeste depois de ataques aéreos ligados à guerra no Oriente Médio.

Kashkari reconheceu que o Fed não tem como reabrir o estreito ou reduzir diretamente o preço do petróleo por meio dos juros. Ainda assim, argumentou que o trabalho do banco central é levar a inflação de volta à meta de 2%, inclusive quando a alta de preços aparece em setores que não dependem diretamente da energia.

Indicador usado pelo Fed ainda estaria em 3,6%

As preocupações de Kashkari estão alinhadas às declarações do presidente do Fed, Kevin Warsh, após a reunião da semana passada. Warsh estimou que a inflação medida pelo indicador usado pelo banco central para definir sua meta provavelmente estava em torno de 3,6% em agosto.

O número oficial será divulgado apenas no fim de setembro. Se confirmado, o resultado mostrará uma distância significativa em relação à meta de 2%, ajudando a explicar por que o Fed decidiu continuar apertando a política monetária, apesar dos riscos de desaceleração econômica.

O que a decisão muda para brasileiros

Juros americanos mais altos tendem a tornar ativos dos Estados Unidos mais atrativos e podem aumentar o custo de captação em dólar. Para o Brasil, isso pode pressionar o câmbio, encarecer produtos importados e dificultar o ambiente para países emergentes, embora o efeito final também dependa das condições domésticas.

Para quem investe, a sinalização reduz a expectativa de uma queda rápida dos juros americanos e pode aumentar a volatilidade em ações, moedas e títulos. Para consumidores e trabalhadores, o principal canal de transmissão está nos combustíveis, no transporte e nos produtos importados, caso a pressão sobre petróleo e dólar persista. O próximo dado de inflação americana será importante para indicar se a alta de juros foi suficiente ou se o Fed precisará manter uma postura restritiva por mais tempo.

Impacto para a sociedade

A decisão do Fed pode afetar o dólar, o custo de financiamentos internacionais e os preços de produtos importados no Brasil. A pressão sobre o petróleo também pode encarecer combustíveis e transporte caso persista, com efeitos sobre o custo de vida e a inflação brasileira.